ai é tão bom
não orbitar
sair do tom
perder a hora
desafiar a sorte
perder o norte
ziguezague
imprevisto
nenhum
mapa
voar
amar
dançar
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ai é tão bom
não orbitar
sair do tom
perder a hora
desafiar a sorte
perder o norte
ziguezague
imprevisto
nenhum
mapa
voar
amar
dançar
canção sossegada
como se fosse assim
princípio de tudo
luz pequenina
final de nada
escuta-lhe o silêncio
prova-lhe o aroma
multiplica a soma
imagina-a tua
chama-lhe lua
mesmo perdida
gota a gota
de noite
roubada
bebida
1sempre assimespera(nça) inquietadoída desassossegadapela outra quase nadaque voa em mimsempreassim
2e sefosse mesmo istoa (triste) casa:ficar ficar ficarsem sonhosem desejonem desassossegonem asa?
3
há na saudadeum não sei quêde laranjacomeçofim de diadesencontrolágrimafadopoesia
é onde moro agora
num lugar azul
sem nome
morada
luz apagada
metade vazio
sonho de sereia
cavalo baleia
sem mar
nem céu
sem eu
sem nada
agora nunca mais apago a luz
não me vou mais embora
nem me deixo dormir
pode ser um sonho
podes não ser
de verdade
e depois
à noite
fugir
como não se
esquece
apaga
um amor?
ficamos
nunca
distante
nunca
sem
rasto
nunca
gasto
sem
sinal
de
terra
água
sol
flor
era uma vez
quase talvez
um natal azul
uma viagem
um dragão
uma lua
branca
minha
tua
eu
hoje
imagino
que te tenho
ao meu lado
e brincamos
os dois
fingindo Natal
como se nunca
tivesses partido
e depois já nem sei
se mesmo o antes
desaparecido
era verdade
real
ou se
foi
também
inventado
esperar uma palavra
que nunca vem
porta aberta
esperança
de dança
ao luar
e não
chegar
ninguém
deixem-me levar
por um bocadinho
a Lua de todos
dizer que é só minha
que é meu o luar
que nunca ninguém
que nunca (mais) alguém
nos vai separar
por favor
por favor
por favor
deixem-me
sonhar...
Uma canção para ti
não precisa de mil notas
não precisa de palavras
pode nem sequer ter som
e mesmo sem a ouvir
sem a escutar, sem a ver
sabes com toda a certeza
que quem a fez nascer
só posso ter sido eu
porque o tamanho do amor
o sabor do meu abraço
e o som do meu beijinho
mesmo eu sendo tão pesado
vão daqui sem rumo certo
atravessam qualquer nuvem
deixam para trás as aves
e ultrapassam o céu!
pergunto em todo o lado
na terra, no mar, no céu
alguém te viu,alguém?
devo ter imaginado
devo ter sonhado
ninguém sabe
ninguém viu
de verdade
ninguém
nem
eu
É assim
espécie de luz
na ponta do nariz
a precisa pessoa
que nos arrebata
nos faz crescer
nos faz sonhar
nos faz feliz.
Na tempestade mais fria
no mais desconsolado dia
invento sempre um sol
quentinho
dentro de mim
finjo que é meu
que fala comigo
me chama princesa
e é assim
que desfaço
cada cristal de gelo
cada gelado laço
até só sobrarem
pedacinhos brancos
cheios de beleza
a enfeitar de alegria
e algodão branco doce
esta azul tristeza.
Quem roubou a lua?
Quem disse agora é minha e já não é tua?
Quem disse que não é verdade
a palavra saudade
o Pai Natal
os sonhos
as fadas?
Quem deixou de acreditar
nas coisas invisíveis
nas coisas encantadas
que moram sem espanto
no coração?
Eu não...
Finjo crescerpelo caminhobem devagarinhosonho a sonhoescapando de mima cada passo que dou...
... mas são fasescarrocelreencontrosem fim(até ao fim).
A verdade?Regresso sempresem bússolaa ti, à nossa casaondetudocomeçou.
Mais perto do céu
longe
terra inventada
guardo brinquedos
boneca de trapos
para brincar...
É nesse
azul
escondida
na ponta de mim
onde ainda sou eu
que me leio
melhor
escuto, navego
tesouros
mapas, magia
sede, fantasia, coisas de voar
castelo que invento
piano à minha espera
príncipe que me abrace
búzios
cheios
de mar.
De que cor é a ternura?
De que cor és tu?
De que cor somos nós?
É da cor do luar...
És da cor da tua voz...
Somos da cor de a_mar....
Percebemos pelo sorriso
que não está sozinho.
Ali
mesmo ao virar da esquina
do azul
no rectângulo casa
(conseguem ver?)
uma princesa
que é quase fada
quase menina quase mulher
vem já já já
muito depressa
antes de ser dia
contar-lhe um segredo
que é uma promessa
oferecer um beijo
colar-lhe uma asa
fazer-lhe um feitiço
chamado magia.
Se não mentir
o amor pode ser
somente semente
dessas que germinam
de qualquer maneira
em qualquer altura
ou hora do dia
sem água, sem sol,
sem terra, sem lua
sem estrela ou magia.
Basta uma lembrança
imagem guardada
beijo soprado
olhar insistente
meia palavra
e aí vem ele
doce, renascido
fresco, perfumado
nem parecendo até
fruto adormecido
dormente, escondido
na terra guardado.
Gosto de imaginar as coisas
exactamente como elas são
quando me ponho a olhar para elas
dentro de mim.
Dentro de mim
as coisas que vejo
não precisam de ser ainda mais imaginadas
porque já lá estão bem arrumadas
exactamente precisamente assim.
Exactamente precisamente assim
com as cores que devem ter
e as formas certas e perfeitas
porque as pessoas dentro de si
só deviam desenhar, e com cuidado,
as coisas que as põem satisfeitas
As coisas que as põem satisfeitas
são as coisas exactamente como elas são
quando as esculpimos sem olhar para fora
num lugar escondido do mundo, que mora
nas janelas da nossa cabeça
e nada tem a ver com o coração
(onde só acontece, enquanto respiramos, circulação...)
Às vezes penso:
gostava
de ter asas em vez de só pés
de poder ser outro caminho
de perder a memória
escrever outra história
céu, sonho, castelos no ar em vez de terra
de lés a lés.
Às vezes escrevo
o que penso que gostava
e isso não muda nada.
Fico só mais leve (menos pesada?)
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Tudo é sempre assim
como aquele momento
exactamente antes
da inundação
de escuro
a que o sopro da vela
desatento ou dirigido
conduz.
O reverso
o avesso
o contrário
o oposto
do momento
que antecede
o som do risco
o cheiro a fósforo
da mão que escoa a cegueira
e nos devolve
num pavio navio longo
outra vez
a luz.