segunda-feira, dezembro 20, 2010

Invento um Sol

Na tempestade mais fria
no mais desconsolado dia
invento sempre um sol
quentinho
dentro de mim
finjo que é meu
que fala comigo
me chama princesa
e é assim
que desfaço
cada cristal de gelo
cada gelado laço
até só sobrarem
pedacinhos brancos
cheios de beleza
a enfeitar de alegria
e algodão branco doce
esta azul tristeza.



sábado, novembro 20, 2010

Sem querer...

Queria esconder
coisas na cabeça
porque embora não pareça
às vezes é preciso
e depois penso em ti
na lua
cavalo branco
e danado, sem querer
revela-se um sorriso...


segunda-feira, outubro 18, 2010

Quem?

Quem roubou a lua?
Quem disse agora é minha e já não é tua?


Quem disse que não é verdade
a palavra saudade

o Pai Natal
os sonhos
as fadas?


Quem deixou de acreditar
nas coisas invisíveis
nas coisas encantadas
que moram sem espanto
no coração?


Eu não...




segunda-feira, outubro 04, 2010

São fases...


Finjo crescer
pelo caminho
bem devagarinho
sonho a sonho
escapando de mim
a cada passo que dou...

... mas são fases
carrocel
reencontro
sem fim
(até ao fim).

A verdade?
Regresso sempre
sem bússola
a ti, à nossa casa
onde
tudo
começou.



domingo, junho 27, 2010

Quando...

Quando eu crescer
sei como me pintar.
Fecho os olhos...
(de olhos fechados
o corpo consegue
ter a forma certa
do que se imagina)
... vou ter um vestido
azul ou branco
de todas as cores
tanto me faz
tem de ser comprido
tem de ser bonito
disso é que eu tenho
completa certeza.
Quando eu crescer
se conseguir
quero outra vez
ser só menina
uma que consiga
(sempre que deseje)
um príncipe que a beije
por ser a princesa...

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sábado, maio 15, 2010

Ponta de mim

Mais perto do céu
longe
terra inventada
guardo brinquedos
boneca de trapos
para brincar...

É nesse
azul
escondida

na ponta de mim
onde ainda sou eu
que me leio
melhor

escuto, navego
tesouros
mapas, magia
sede, fantasia, coisas de voar
castelo que invento
piano à minha espera
príncipe que me abrace
búzios

cheios
de mar.

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terça-feira, abril 06, 2010

De que cor?

De que cor é a ternura?
De que cor és tu?
De que cor somos nós?

É da cor do luar...
És da cor da tua voz...
Somos da cor de a_mar...

.



Mais uma exposição no Think 2010. Madalena Matoso. Ilustrações.
http://www.facebook.com/photo.php?pid=3536228&id=350464159453

domingo, março 28, 2010

Antes de ser dia

Percebemos pelo sorriso
que não está sozinho.
Ali
mesmo ao virar da esquina
do azul
no rectângulo casa
(conseguem ver?)
uma princesa
que é quase fada
quase menina quase mulher
vem já já já
muito depressa
antes de ser dia
contar-lhe um segredo
que é uma promessa
oferecer um beijo
colar-lhe uma asa
fazer-lhe um feitiço
chamado magia.



quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Se(não)mente?

Se não mentir
o amor pode ser
somente semente
dessas que germinam
de qualquer maneira
em qualquer altura
ou hora do dia
sem água, sem sol,
sem terra, sem lua
sem estrela ou magia.

Basta uma lembrança
imagem guardada
beijo soprado
olhar insistente
meia palavra
e aí vem ele
doce, renascido
fresco, perfumado
nem parecendo até
fruto adormecido
dormente, escondido
na terra guardado.


domingo, fevereiro 07, 2010

As coisas...

Gosto de imaginar as coisas
exactamente como elas são
quando me ponho a olhar para elas
dentro de mim.

Dentro de mim
as coisas que vejo
não precisam de ser ainda mais imaginadas
porque já lá estão bem arrumadas
exactamente precisamente assim.

Exactamente precisamente assim
com as cores que devem ter
e as formas certas e perfeitas
porque as pessoas dentro de si
só deviam desenhar, e com cuidado,
as coisas que as põem satisfeitas

As coisas que as põem satisfeitas
são as coisas exactamente como elas são
quando as esculpimos sem olhar para fora
num lugar escondido do mundo, que mora
nas janelas da nossa cabeça
e nada tem a ver com o coração
(onde só acontece, enquanto respiramos, circulação...)


quinta-feira, janeiro 21, 2010

Gostava...

Às vezes penso:
gostava
de ter asas em vez de só pés
de poder ser outro caminho
de perder a memória
escrever outra história
céu, sonho, castelos no ar em vez de terra
de lés a lés.


Às vezes escrevo
o que penso que gostava
e isso não muda nada.

Fico só mais leve (menos pesada?)




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sábado, janeiro 09, 2010

Marés?

Tudo é sempre assim
como aquele momento
exactamente antes
da inundação
de escuro
a que o sopro da vela
desatento ou dirigido
conduz.
O reverso
o avesso
o contrário
o oposto
do momento
que antecede
o som do risco
o cheiro a fósforo
da mão que escoa a cegueira
e nos devolve
num pavio navio longo
outra vez
a luz.