sexta-feira, janeiro 17, 2014

gaiola(s)



distraídos por dentro em volta de nós
fazemos a nossa gaiola com carinho
como a lagarta fio tecido casulo
nem aragem nem buraquinho
nem porta nenhuma janela
e depois…
como
fugir
dela?

(o sonho)


 

http://society6.com/product/Jorinda-and-Joringel-2_Print#1=45

With thanks to Judith Clay who permits me to use her inspiring work...

sexta-feira, janeiro 03, 2014

pecado

sonhos a mais de mais não
asas a mais de mais nunca
apenas a mais de mais peso
apenas a mais de mais chão
pecado:
ao mar lua céu preferir cais
não ser nem querer demais

ilustração: Anne Bachelier

não há...

"Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro."
e ainda que houvesse seria
mesmo se o melhor do mundo
sempre o lu(g)ar segundo
(ou terceiro... ou fantasia)


terça-feira, dezembro 31, 2013

outra vez (escrever)



festas celebrando o morrer e o enterrar de anos velhos
como se atrás ficassem apenas imagens em espelhos
e à nossa frente: mais caminhos mais estradas mais ruas
e todas as memórias fossem apenas as minhas e as tuas
dizemos com abraços e sorrisos e beijos adeus e olá
celebramos quem chega choramos quem já não está
e o melhor de tudo ? é sempre não saber sequer o que vai ser
reinventar outra vez caderno folha parede limpa onde escrever


ilustração:  Gabriel Pacheco

quarta-feira, dezembro 25, 2013

para ser verdade

eu vou assim muito muito devagarinho
a demorar devagar o sabor a sonho
a repetir  a canção sem me cansar
a prolongar o aroma doce de dar
a tornar infinito esse caminho
a atrasar o relógio sem culpa
a abraçar sempre que puder
a dar voltas no azul do ar
a fingir que me perdi
para ser verdade
esse tal Natal
quando eu
quiser


sábado, dezembro 21, 2013

para...

para evitar essa tristeza outonal e fria
tenho sempre um sol à mão (uma canção) do acordar ao final do dia



ilustração: Anna Silivonchik

(re)colher

(re)colho a toda a hora flores estrelas sonhos possíveis
(sabedoria: deixar sempre alguns para outro dia)



ilustração: Anna Silivonchik

domingo, fevereiro 10, 2013

dançar

ai é tão bom
não orbitar
sair do tom
perder a hora
desafiar a sorte
perder o norte
ziguezague
imprevisto
nenhum
mapa
voar
amar
dançar


www.vladstudio.com

sábado, janeiro 19, 2013

canção

canção sossegada
como se fosse assim
princípio de tudo
luz pequenina
final de nada
escuta-lhe o silêncio
prova-lhe o aroma
multiplica a soma
imagina-a tua
chama-lhe lua
mesmo perdida
gota a gota
de noite
roubada
bebida 


quinta-feira, novembro 22, 2012

três poemas para uma ilustração de Miguel Horta




1
sempre assim
espera(nça) inquieta
doída desassossegada
pela outra quase nada
que voa em mim
sempre
assim
 


2
e se
fosse mesmo isto
a (triste) casa:
ficar ficar ficar
sem sonho
sem desejo
nem desassossego
nem asa?



3
há na saudade
um não sei quê
de laranja
começo
fim de dia
desencontro
lágrima
fado
poesia



Miguel Horta - Ilustração
http://miguel-horta.blogspot.pt/p/ilustracao.html