sonhos a mais de mais não
asas a mais de mais nunca
apenas a mais de mais peso
apenas a mais de mais chão
pecado:
ao mar lua céu preferir cais
não ser nem querer demais
ilustração: Anne Bachelier
sonhos a mais de mais não
asas a mais de mais nunca
apenas a mais de mais peso
apenas a mais de mais chão
pecado:
ao mar lua céu preferir cais
não ser nem querer demais
"Não há luar como o de Janeiro nem amor como o primeiro."
e ainda que houvesse seria
mesmo se o melhor do mundo
sempre o lu(g)ar segundo
(ou terceiro... ou fantasia)
festas celebrando o morrer e o enterrar de anos velhoscomo se atrás ficassem apenas imagens em espelhose à nossa frente: mais caminhos mais estradas mais ruase todas as memórias fossem apenas as minhas e as tuasdizemos com abraços e sorrisos e beijos adeus e olácelebramos quem chega choramos quem já não estáe o melhor de tudo ? é sempre não saber sequer o que vai serreinventar outra vez caderno folha parede limpa onde escrever
eu vou assim muito muito devagarinho
a demorar devagar o sabor a sonho
a repetir a canção sem me cansar
a prolongar o aroma doce de dar
a tornar infinito esse caminho
a atrasar o relógio sem culpa
a abraçar sempre que puder
a dar voltas no azul do ar
a fingir que me perdi
para ser verdade
esse tal Natal
quando eu
quiser
ai é tão bom
não orbitar
sair do tom
perder a hora
desafiar a sorte
perder o norte
ziguezague
imprevisto
nenhum
mapa
voar
amar
dançar
canção sossegada
como se fosse assim
princípio de tudo
luz pequenina
final de nada
escuta-lhe o silêncio
prova-lhe o aroma
multiplica a soma
imagina-a tua
chama-lhe lua
mesmo perdida
gota a gota
de noite
roubada
bebida
1sempre assimespera(nça) inquietadoída desassossegadapela outra quase nadaque voa em mimsempreassim
2e sefosse mesmo istoa (triste) casa:ficar ficar ficarsem sonhosem desejonem desassossegonem asa?
3
há na saudadeum não sei quêde laranjacomeçofim de diadesencontrolágrimafadopoesia
é onde moro agora
num lugar azul
sem nome
morada
luz apagada
metade vazio
sonho de sereia
cavalo baleia
sem mar
nem céu
sem eu
sem nada
agora nunca mais apago a luz
não me vou mais embora
nem me deixo dormir
pode ser um sonho
podes não ser
de verdade
e depois
à noite
fugir
como não se
esquece
apaga
um amor?
ficamos
nunca
distante
nunca
sem
rasto
nunca
gasto
sem
sinal
de
terra
água
sol
flor
era uma vez
quase talvez
um natal azul
uma viagem
um dragão
uma lua
branca
minha
tua
eu
hoje
imagino
que te tenho
ao meu lado
e brincamos
os dois
fingindo Natal
como se nunca
tivesses partido
e depois já nem sei
se mesmo o antes
desaparecido
era verdade
real
ou se
foi
também
inventado
esperar uma palavra
que nunca vem
porta aberta
esperança
de dança
ao luar
e não
chegar
ninguém
deixem-me levar
por um bocadinho
a Lua de todos
dizer que é só minha
que é meu o luar
que nunca ninguém
que nunca (mais) alguém
nos vai separar
por favor
por favor
por favor
deixem-me
sonhar...
Uma canção para ti
não precisa de mil notas
não precisa de palavras
pode nem sequer ter som
e mesmo sem a ouvir
sem a escutar, sem a ver
sabes com toda a certeza
que quem a fez nascer
só posso ter sido eu
porque o tamanho do amor
o sabor do meu abraço
e o som do meu beijinho
mesmo eu sendo tão pesado
vão daqui sem rumo certo
atravessam qualquer nuvem
deixam para trás as aves
e ultrapassam o céu!
pergunto em todo o lado
na terra, no mar, no céu
alguém te viu,alguém?
devo ter imaginado
devo ter sonhado
ninguém sabe
ninguém viu
de verdade
ninguém
nem
eu
É assim
espécie de luz
na ponta do nariz
a precisa pessoa
que nos arrebata
nos faz crescer
nos faz sonhar
nos faz feliz.
Na tempestade mais fria
no mais desconsolado dia
invento sempre um sol
quentinho
dentro de mim
finjo que é meu
que fala comigo
me chama princesa
e é assim
que desfaço
cada cristal de gelo
cada gelado laço
até só sobrarem
pedacinhos brancos
cheios de beleza
a enfeitar de alegria
e algodão branco doce
esta azul tristeza.
Quem roubou a lua?
Quem disse agora é minha e já não é tua?
Quem disse que não é verdade
a palavra saudade
o Pai Natal
os sonhos
as fadas?
Quem deixou de acreditar
nas coisas invisíveis
nas coisas encantadas
que moram sem espanto
no coração?
Eu não...