domingo, maio 15, 2011

A canção

Uma canção para ti
não precisa de mil notas
não precisa de palavras
pode nem sequer ter som
e mesmo sem a ouvir
sem a escutar, sem a ver
sabes com toda a certeza
que quem a fez nascer
só posso ter sido eu
porque o tamanho do amor
o sabor do meu abraço
e o som do meu beijinho
mesmo eu sendo tão pesado
vão daqui sem rumo certo
atravessam qualquer nuvem
deixam para trás as aves
e ultrapassam o céu!


quinta-feira, abril 07, 2011

alguém?

pergunto  em todo o lado
na terra, no mar, no céu
alguém te viu,alguém?
devo ter imaginado
devo ter sonhado
ninguém sabe
ninguém viu
de verdade
ninguém
nem
eu

sábado, abril 02, 2011

Espécie de luz...

É assim
espécie de luz
na ponta do nariz
a  precisa  pessoa
que nos arrebata
nos faz crescer
nos faz sonhar
nos faz feliz.

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sexta-feira, fevereiro 11, 2011

acordar

nos sonhos
às vezes

abraçamos
quem queremos abraçar

beijamos
quem queremos beijar

e
depois
acordamos

(com pena
de acordar)



terça-feira, fevereiro 01, 2011

Há um sonho

Há um sonho que sonho
cheio de saudade
em noite de lua
e não conto
a ninguém


(Tu sabes qual é
se pensares bem...)




segunda-feira, dezembro 20, 2010

Invento um Sol

Na tempestade mais fria
no mais desconsolado dia
invento sempre um sol
quentinho
dentro de mim
finjo que é meu
que fala comigo
me chama princesa
e é assim
que desfaço
cada cristal de gelo
cada gelado laço
até só sobrarem
pedacinhos brancos
cheios de beleza
a enfeitar de alegria
e algodão branco doce
esta azul tristeza.



sábado, novembro 20, 2010

Sem querer...

Queria esconder
coisas na cabeça
porque embora não pareça
às vezes é preciso
e depois penso em ti
na lua
cavalo branco
e danado, sem querer
revela-se um sorriso...


segunda-feira, outubro 18, 2010

Quem?

Quem roubou a lua?
Quem disse agora é minha e já não é tua?


Quem disse que não é verdade
a palavra saudade

o Pai Natal
os sonhos
as fadas?


Quem deixou de acreditar
nas coisas invisíveis
nas coisas encantadas
que moram sem espanto
no coração?


Eu não...




segunda-feira, outubro 04, 2010

São fases...


Finjo crescer
pelo caminho
bem devagarinho
sonho a sonho
escapando de mim
a cada passo que dou...

... mas são fases
carrocel
reencontro
sem fim
(até ao fim).

A verdade?
Regresso sempre
sem bússola
a ti, à nossa casa
onde
tudo
começou.



sábado, maio 15, 2010

Ponta de mim

Mais perto do céu
longe
terra inventada
guardo brinquedos
boneca de trapos
para brincar...

É nesse
azul
escondida

na ponta de mim
onde ainda sou eu
que me leio
melhor

escuto, navego
tesouros
mapas, magia
sede, fantasia, coisas de voar
castelo que invento
piano à minha espera
príncipe que me abrace
búzios

cheios
de mar.

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terça-feira, abril 06, 2010

De que cor?

De que cor é a ternura?
De que cor és tu?
De que cor somos nós?

É da cor do luar...
És da cor da tua voz...
Somos da cor de a_mar...

.



Mais uma exposição no Think 2010. Madalena Matoso. Ilustrações.
http://www.facebook.com/photo.php?pid=3536228&id=350464159453

domingo, março 28, 2010

Antes de ser dia

Percebemos pelo sorriso
que não está sozinho.
Ali
mesmo ao virar da esquina
do azul
no rectângulo casa
(conseguem ver?)
uma princesa
que é quase fada
quase menina quase mulher
vem já já já
muito depressa
antes de ser dia
contar-lhe um segredo
que é uma promessa
oferecer um beijo
colar-lhe uma asa
fazer-lhe um feitiço
chamado magia.



quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Se(não)mente?

Se não mentir
o amor pode ser
somente semente
dessas que germinam
de qualquer maneira
em qualquer altura
ou hora do dia
sem água, sem sol,
sem terra, sem lua
sem estrela ou magia.

Basta uma lembrança
imagem guardada
beijo soprado
olhar insistente
meia palavra
e aí vem ele
doce, renascido
fresco, perfumado
nem parecendo até
fruto adormecido
dormente, escondido
na terra guardado.


domingo, fevereiro 07, 2010

As coisas...

Gosto de imaginar as coisas
exactamente como elas são
quando me ponho a olhar para elas
dentro de mim.

Dentro de mim
as coisas que vejo
não precisam de ser ainda mais imaginadas
porque já lá estão bem arrumadas
exactamente precisamente assim.

Exactamente precisamente assim
com as cores que devem ter
e as formas certas e perfeitas
porque as pessoas dentro de si
só deviam desenhar, e com cuidado,
as coisas que as põem satisfeitas

As coisas que as põem satisfeitas
são as coisas exactamente como elas são
quando as esculpimos sem olhar para fora
num lugar escondido do mundo, que mora
nas janelas da nossa cabeça
e nada tem a ver com o coração
(onde só acontece, enquanto respiramos, circulação...)


quinta-feira, janeiro 21, 2010

Gostava...

Às vezes penso:
gostava
de ter asas em vez de só pés
de poder ser outro caminho
de perder a memória
escrever outra história
céu, sonho, castelos no ar em vez de terra
de lés a lés.


Às vezes escrevo
o que penso que gostava
e isso não muda nada.

Fico só mais leve (menos pesada?)




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sábado, janeiro 09, 2010

Marés?

Tudo é sempre assim
como aquele momento
exactamente antes
da inundação
de escuro
a que o sopro da vela
desatento ou dirigido
conduz.
O reverso
o avesso
o contrário
o oposto
do momento
que antecede
o som do risco
o cheiro a fósforo
da mão que escoa a cegueira
e nos devolve
num pavio navio longo
outra vez
a luz.


quarta-feira, dezembro 23, 2009

Silêncios

Há páginas
cheias de silêncios
por dentro
por fora
à janela
distantes
perdidas
esperando
(procurando?)
na sombra
de um qualquer luar
no breu
uma letra
uma palavra
o poema preciso
uma flor
calor
essa quase luz
sem corpo
sem braços
sem folhas

sem voz
tu?
eu?

nós?



domingo, dezembro 20, 2009

Definição (desejo de?)

Natal devia ser coisa comprida e alongada
esguia
Natal devia ser coisa redonda e grande
cheia
assim uma espécie de infinita e completa magia
não coisa meia
coisa quarta
coisa quase milésima
de cada dia.

Natal
(se eu mandasse no dicionário
das coisas a precisar de re_definição)
teria sabor, cheiro e forma de seta
aninhada sem fuga no colo-coração.



sexta-feira, dezembro 18, 2009

Carta

Querido Pai Natal
dá-me um regador
dá-me umas asas de borboleta
de beija-flor, de colibri
dá-me um vestido
de framboesa
uns sapatinhos de fada-princesa
que eu portei-me bem
e nunca mereci nem meio castigo.
.
Prometo ir contigo
pelo céu fora
semear luz em qualquer lugar
a qualquer hora
a ver se consigo
que algumas raízes se despeçam do chão
e descubram uns pés para dançar.
.
Querido Pai Natal
dá-me mais um sonho
só um sonho mais
que eu gosto de ter a gaveta cheia
para nunca faltar
nem um sonho que seja
que me levante e empurre
(mesmo que eu não queira)
e me leve inteira
de mão dada com ele
a navegar...

sábado, dezembro 05, 2009

Divisão inteira

Sabes,
não sou só esta
não sou só esta assim
não sou só esta assim como se não houvesse mais nenhuma
Sabes,
aqui dentro
aqui dentro de mim
aqui dentro de mim há mais uma
ou mais
ou menos.
Vírgula.
Reparto-me, parto-me, quebro-me
divido-me,
multiplico-me, adiciono-me
mesmo quando penso ser inteira
o todo, o tudo
como se não ser
fosse um mal
doença grave
espécie de enfermidade decimal.(Terminal?)
Contudo, sabes,
não sei viver sem operações cirúrgicas
precisas
divisões sucessivas

quase infinitas

nunca encontrando coisa irredutível
que me seja igual.

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domingo, novembro 29, 2009

Quanto basta

Quando às vezes estou quase quase mesmo a
esquecer

quem eras, porque eras, onde estás
e a memória tenta fechar janelas
contra a chuva e contra o vento
apagar com borracha de tinta
o lamento
fazer silêncio da música que toca dentro dela
onde quer que nela vás
chega uma palavra qualquer
uma só e é quanto basta
na lareira da esperança
para limpar a tristeza
crepitar, apagar silêncios
para avivar a lembrança
como se fosse o Natal
de que perdemos o rasto
e regressa ano a ano
com ideia de ir embora
mal a gente se habitue
ao sabor a mel e canela
das prendas que nascem na árvore
mas só durem o tempo de agora
se deitem depressa fora
como fruta que envelhece
longe da seiva dela.

sábado, novembro 14, 2009

Agora eu era...

(Agora eu era o herói
e o meu cavalo só falava inglês...
C. Buarque)

Agora eu era lenta com asas de mar
e nadava como se voasse nas nuvens do ar.

Agora eu deslizava, su_ave, sossegada
e caminhava os caminhos sem pressa de nada.

Agora eu era outra, embora fosse eu
e o meu oceano já podia ser céu.

Agora eu já podia ser uma princesa
vestir um vestido, bailar com leveza
pedir ao tempo que esperasse por mim
e esperar por ele um tempo sem fim.

E agora sem correr podias encontrar-me
encostar-me à Lua e até beijar-me.

Agora eu era aquela que é como pode
que é como sabe, que é como deve
(tornado sonhando ser floco de neve).

sábado, outubro 31, 2009

Cogumelos verdes

Façamos de conta que
é noite
a minha teia e a tua
opostas
distantes...
Imaginemos um monte entre elas
e sobre ele cogumelos verdes
enormes
acesos
como lua
como dantes
a fazer de rua entre ti e mim
fios invisíveis
assim, setas no chão
para cá e para lá
soltos e, também,
subtilmente
presos.
Sorrirás. Dirás que imagino.
Que não há cogumelos verdes
velas
maiores do que nós.

Mas eu sei que sim
porque os vi
no exacto segundo em que apagaste a luz
varreste as migalhas
do caminho

e a noite enrouqueceu

lentamente
até perder a voz.


sexta-feira, outubro 23, 2009

Cores do mel

No meu jardim de segredos
onde há fadas que são flores
nascem as cores do mel
rebuçados sem papel
beijos soprados ao vento
que gosto de dividir
que gosto de te oferecer
sempre que a solidão teima
sempre que o sal te queima
te escurece, te afoga
te rouba e te subtrai
te leva
te faz perder
a vontade de sorrir.


sexta-feira, outubro 16, 2009

O olhar engana...

Ama-me assim mesmo
gata preta grande
vadia, sozinha
pêlo desgrenhado
que pica na mão
bruxa feia e escura
feiticeira louca
noite sem dia
aranha malvada
morcega vampira
na boca só não
rabugenta e má
sem sinal de mel
toda desgrenhada
é o que se vê
é o que tens
parece até
que é o que há...

Ama-me assim mesmo
que tu sabes bem
o olhar engana
cá dentro do breu
sou astro de seda
luz clara, macia
bela, elegante
perfeita ou quase
para um gato só
desses que vagueia
pela Lua cheia
que vê a princesa
que sabe da fada
que sabe da luz
que sabe o sorriso
que sabe o segredo
escondido no peito
da bruxa, da gata
louca feiticeira
morcega, vampira
da aranha e da teia.


segunda-feira, setembro 28, 2009

Uma solidão que se desenha


Desenhemos uma solidão
parcial:
tu não estás
(não sei se existes
se te inventei)
tu não cantas
(não sei se cantavas
se imaginei)
tu tão invisível
(não sei se te via
se só sonhei).

Cai uma espécie de silêncio branco
no Verão azul
noite iluminada
sossegada
que sou.

Desenhemos uma solidão
completa:
se te atrasares
um minuto mais
banco de jardim
frio
vazio
já nem eu lá estou.


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sábado, setembro 19, 2009

Singular de nós...

A verdade é esta:
cada um de nós é sempre
pelo menos dois.

À noite
só a lua é uma
só o lume é um
a floresta escondida
em silêncio tecida
plural de árvores e sombras
sozinha também.

E estamos sempre os quatro
juntos
fingindo um par
como se fosse possível
algum dia
sermos
só tu e só eu
singular de nós
e mais ninguém.


quarta-feira, setembro 02, 2009

Se eu... tu também...

Se eu fosse outro animal
de certeza que seria
suave, redondo, macio
calado, radar, atento
cinzento, claro, bonito
de certeza que teria
olhos de engolir mundo
olhos de beber sonhos
nariz curto e perfeito
pintas, bigodes, segredos
muitas imensas coragens
poucos ou nenhuns medos.

Não queria solidão
nem caminhos sem ruído
estradas pretas e despidas
nuas, vazias, compridas
por onde passasse a correr.

Se eu fosse outro animal
(e não me digas que não)
tu também tinhas de ser.


segunda-feira, agosto 24, 2009

Beijo-flor?

Nos dias frios
amargos
distantes
escuros

polvilhados com sal e solidão
quando acreditas que voas
e me escapas

e já não queres
nem a boca nem a mão
disfarço-me
outra forma
outro cheiro
outra cor
e sem saberes
(mesmo) sem quereres
é a mim que beijas
só a mim
(sempre)
e nunca à flor.



terça-feira, agosto 18, 2009

Não deixo

Há um palácio assim
quase impossível
encantado
num recanto congelado
de um coração tão cheio
que parece não ter espaço
mas que, sei, teria
se eu deixasse
só para mais um beijo
só para mais um abraço.

Não podes lá entrar
não deixo
porque, eu sei,
que o Verão quente
(que vem contigo)
o derretia.



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sexta-feira, agosto 07, 2009

Não há...

Não és um Sol qualquer
não há planeta
não há bola de brincar
não há coisa alguma
que
te roube pedaço de luz
te afaste dos meus olhos
te consiga apagar.

Posso procurar outra solução
experimentar
alternativa de eclipse
para não te ver:
virar-me de costas
óculos bem escuros
chapéu de abas largas
num quarto fechado
com zero janelas...

mas duvido, ainda assim,
que isso dê resultado em mim
e te consiga
esquecer.



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