terça-feira, julho 14, 2009

Os príncipes

Têm muitas formas, os príncipes
os seus cavalos também
trazem sempre flores, beijos, chocolates

dedicam poemas, oferecem canções
despertam nas amadas galáxia de emoções
saudade, calor, lágrima, euforia
tristeza, fome, sede, alegria...
e aportam do mar, chegam por terra, descem do céu.

Aquele que tem a forma mais bonita
e o cavalo a condizer

(conseguem ver?)
é o meu.



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terça-feira, junho 30, 2009

Longe é um silêncio

Longe é um acorde que não escuto
canções que nunca são minhas
melodias fugindo em sentido oposto
depositadas em mãos sem rosto
janela colada, porta surda e cega
estrelas sem brilho por falta de rega
planeta distante, oceano sem lua

Longe é um silêncio que sussurra
cada nota alta que devia ser minha
como se fosse apenas uma pausa tua.


domingo, junho 28, 2009

Inapagável

Mesmo que alguém tente
apagar devagarinho
todos os traços de mim
até me tornar invisível
inexacta, inexistente
impossível, transparente
não me leva o espanto
inquilino do olhar
(que é só do que preciso)
nem arranca ou extermina
esse meu inapagável
e infinito sorriso.





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sexta-feira, junho 26, 2009

Dia meu

Nos dias em que o dia se esquece de vir à janela
e a noite aproveita para não ir embora
acendo cada girassol como se fosse uma vela
sopro o teu nome beijo em direcção ao céu
abraço e apago docemente cada estrela
(não me importa o tempo que demora)
e dentro da noite escura faço um dia meu.

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segunda-feira, junho 22, 2009

Noite minha

Tenho uma noite só minha
chega sempre que eu quero
basta-me estender a mão
ela não me diz que não
cabe em mim mesmo à medida
com lua estrelas e sombra
mimos, canção de embalar
história para adormecer
sonhos de todas as cores
a qualquer hora do dia.

Não preciso de saber
se são horas de almoçar
quantas horas já se foram
quantas horas inda há
a minha noite é só minha
(também tua, se quiseres)
tem flores que nunca dormem
e onde eu estou ela está.




Regresso (Sonhado) II

Sonhei que ias chegar
arrancar de ti
essa armadura
arejei o castelo
limpei as teias
sacudi o pó
ao lume há surpresa
adivinho flores
jarra sobre a mesa

toalha de linho
já cheira a café

fossem todas as coisas tão simples
como cada regresso sonhado é.

Sonhei que ias chegar
leve
sem peso de mala
abri todas as janelas
apaguei a luz
escondi o mar
adivinho beijos
perfume de lua
e nós dois a dançar
ao sabor da maré

fossem todas as coisas tão simples
como cada regresso sonhado é.


sexta-feira, junho 12, 2009

Regresso (sonhado)

Sonhei que ias chegar
arrancar de ti
essa armadura
arejei o castelo
limpei as teias
sacudi o pó
ao lume há surpresa
adivinho flores
jarra sobre a mesa

toalha de linho
já cheira a café

fossem todas as coisas tão simples
como cada regresso sonhado é.


quarta-feira, maio 20, 2009

Sonho sem querer

Tenho raízes com pés e pés com raízes
e caminho ou não caminho conforme decidir
que quero ou não quero ir ou não ir
ficar, navegar, parar ou partir.

Tenho pesos com asas e asas com pesos
e voo ou não voo conforme acreditar
que é bom ou não é bom deixar-me levar

Tenho sonhos na alma e alma com sonhos
e por mais que tente não consigo evitar
não sou eu que mando, não a sei controlar
a alma não escuta nada do que digo
sonho sem saber, sonho sem querer
castelos, palácios, valsas ao luar
e se no teu sonho não me queres a mim
sonho mesmo assim
passeios solitários, mão dada comigo.


domingo, abril 26, 2009

Tempero de sonho


Gosto da ausência de ti
na refeição da vida
da sede
da fome
que o tempo acrescenta
depois da partida.

Ter-te ausente

é dar-te a mão com outro eu
que sabe navegar
invisível mar
sem precisar de caravela
entre planeta e estrela.

Amargo seria
não existires,
nem longe, nem distante

e nem por um instante
arrumar as letras saudade
nesse fio, colar de contas
espécie de rio
e pô-lo ao peito.

Solidão é só

não ter sonhos
com cheiro a canela
açúcar queimado
para polvilhar
o caminho
arroz-doce
leite-creme
prato cheio
azul

infinito
do céu de cada dia.



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quinta-feira, abril 02, 2009

Regar...

Rego tudo bem regado
horas, minutos, segundos
pessoas, bichos e flores
ideias, palavras, histórias
sabores, aromas, memórias
a ver se no jardim nasce
companhia para o caminho:
um berço, um colo, um abraço
uma lua, um piano, um regaço
um livro, um poema, um palácio
um ouvido, um beijo, um carinho
um canto, uma dança, uma voz
que se deixe aqui ficar
goste de me ver regar
e não deseje partir...

... que eu tenho pés de sereia
asas de joaninha
sonhos de borboleta
olhos de ver ao longe
o mundo na minha cabeça
mas gosto do meu jardim
e não lhe consigo fugir.


sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Invisibilidade

Sem olhar
sem palavras
sem lua
cada vez
mais
pe
que
ni
na
como se uma borracha
me fosse apagando aos poucos
sem carta ou sorriso
para ver

de que nenhum tamanho
eu posso chegar a ser
algum dia
quando o retrato
ou memória
de mim
finalmente
não for
nem
necessário
nem
preciso.



sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Subtil evidência

Em sonhos cor-de-rosa azuis imaginamos
que o tempo tem mais tempo do que tem
que as mãos têm mais dedos do que cem
que a música toca sempre a toda a hora
que nunca ninguém parte ou vai embora
que as flores não deixam de ser regadas
que as mãos estão sempre entrelaçadas

e às vezes a seguir quando acordamos
é tudo quase exactamente igual ao que sonhamos
com mais chuva
menos flores
e a subtil evidência
de um nós tecido
sem mãos
sem fios
na ausência.



sábado, janeiro 31, 2009

Caixinha(s) de música

Sou somos seremos sempre
casas grutas caixinhas de música
sozinhas com corda sem corda
tocando de dia de tarde de noite
ao sol ao vento ao luar
como se estar existir viver
fosse doesse soasse
a canção fado melodia
grito aceno chamamento
até que
pessoa cavaleiro princesa
resto perfeito da sinfonia
chegasse entrasse existisse
em vez de
simplesmente só apenas
ser sonho do pensamento.




domingo, janeiro 18, 2009

Devagar

Corre devagar que o tempo precisa de ser precisamente quase caracol para ser completamente nosso e se conseguir desvendar para ver nitidamente as coisas da janela sem chegar depois uma saudade sem regresso possível que esteja ali à mão de semear porque é devagar que o gelado se aquece na boca devagar que o amor se vagueia devagar que o saber se ilumina devagar que a vida se passeia sem pressa mão furtiva dada beijo imaginado roubado elevador para a lua sonhos que se inventam princesas sempre belas cavaleiros calmamente andantes perto delas porque devagar é assim palavra mágica para longe e melhor e mais saboroso diz quem não se engana quase nunca e eu digo também que devagar é arte de navegar cada grão de açúcar no ponto adequado devagar bem devagar paciência até morar para sempre caminhando levemente na estrada de um ponto de pérola e de rebuçado.




domingo, janeiro 11, 2009

Sem fronteiras

que desertos? que longes? que espaços abertos?
que nome? que som? que forma? que cor?
que distância certa? tradução exacta
das letras em fila escrevendo-se amor?
rascunho acabado perfeito imperfeito completo incompleto
lápis-de-cor óleo aguarela
palavra sem rédeas no dicionário
pode ser corpo pode ser tranquilo pode ser asa
mais do que um
cartas enviadas tantas as maneiras
flor e mil abelhas dança no azul
lua teia terra
ave com destinos ave sossegada
casa fechadura ninho com janela
entrar sem forçar sem resistir
sentir sem pesar
sentir sem esconder
sentir sem fronteiras








quarta-feira, dezembro 31, 2008

Sol que não gira

Não importa o tamanho nem o brilho
quem gira é a Terra e são as flores

que costuram os dias com as mãos
que tecem estações e tecem anos
que resguardam todas as memórias
que dizem os segredos escondidos
nos bolsos, nas bainhas, nas gavetas
nos avessos coloridos das histórias.



sábado, dezembro 13, 2008

Dança(-me)

Dança-me no céu
dança-me na Lua
dança-me nas estrelas
é lá que eu sou tua

Dança-me uma dança
bem longe, ao relento
sem tectos paredes
chão: flocos de nuvem
chão: cristais de vento

Dança-me nas horas
mais frias do dia
dança-me naquelas
quentes de alegria

Dança-me sem freio
dança-me sem medo
dança-me ao peito
dança-me ao ouvido
dança-me em segredo.



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quarta-feira, dezembro 10, 2008

A cor mais quente?

Dizem que é fria
parece gelada
mas eu cá não acho
e tenho a certeza
tamanha beleza
todas as cores
nela misturada

nenhuma de fora
nem saliente
dão-lhe assim um tom
fofo de algodão
a cor mais quente:
refresca por fora
por dentro aquece
a coisa sem nome
que mora cá dentro
não se sabe onde
e que confundimos
com o coração.



sábado, novembro 29, 2008

Curvas alegres

Nem mesmo um desenho
desenhando
um desenho de mim
se esquece de traçar
o que faz mais falta
o que é mais preciso.

Espada numa mão, lápis na outra
a força só vem
se não te esquecer
se não me esquecer
de pintar com jeitinho
no meu retrato
as curvas alegres
de um sorriso.



domingo, novembro 23, 2008

Nenhuma diferença

Experimenta fechar os olhos
para veres o que eu vejo
sal na água das nuvens
borboletas navegando
céu no fundo do mar
sol em qualquer lado
tu seco ou molhado
e nenhuma diferença
entre voar e nadar



segunda-feira, novembro 17, 2008

Mão poema

Se eu pudesse
estendia o meu braço ramo
abria a minha mão flor
para além da janela
que me aproxima
sem corpo
até onde alguma tristeza
ainda houvesse
e com ela faria
gesto doce
beijo de dedos
enxugar de mares
ramo de alentos
sopro de segredos
perfumados.

Se eu pudesse seria fada
e a minha mão
tua companhia
ombro, viagem
tinta de sorrisos
luz acesa, chá quente
desejos pedidos
varinha de condão.

(Mas... é só poema
a minha mão.)



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sexta-feira, novembro 14, 2008

Silêncio

Subo ao cume do silêncio devagar
para não me escutar em dó
ser menos só
re_mar no avesso da maré
mi_mar fa_zer nascer outro sol
lá alto onde dizem que mora

Si_lêncio é
apenas mais um som

não é cor em ausência
escuro escondido
corpo esquecido.

Me deixassem e seria quase sempre em silêncio
noutra escala:
Dá, Ri, Meu, Faz, Sal, Lê, Sê, Dá
alto, muito alto
onde tudo é possível sem nenhum tabu
e ainda lhe acrescentava
Flor
Mar
Céu
e
Tu



sexta-feira, outubro 24, 2008

Distância

Não são as sereias
chamando lá longe
à distância de um mar

É esse silêncio
esse azul sem espuma
piano sem mão
que
mesmo assim distante
eu ouço tocar.



terça-feira, setembro 09, 2008

Não preciso

Não preciso de mão para te dar a mão
não preciso de sorrisos para te sorrir
não preciso de braços para te abraçar
não preciso de palavras para falar contigo
basta-me saber-te aí
voando num céu líquido
a escutar o que não digo

Não preciso de coisa alguma
só de ti.


quinta-feira, agosto 28, 2008

Ponto de nós

Dou a volta ao mundo
linha a linha
fio a fio
ponto por ponto
cruz, cheio, cadeia, matiz
espinha
pé-de-galo
pé-de-flor
regar
gosto de tecer
gosto de bordar
ponto de nós.

As voltas redondas
têm este fado
tu do meu lado
eu caminhando
sabendo sem fim
os caminhos cosidos
com a seda que nasce
por dentro de mim.


sexta-feira, agosto 22, 2008

Voar e cair

Soubera eu como voar em vez de cair
em ti, gota,

e nada mudaria

porque
ainda assim
depois de voar
liberta de fios
a seguir
vinha a saudade
e de novo
em ti
me afundaria.



quinta-feira, agosto 07, 2008

E...

E de repente
uma brisa
uma janela com flores
uma porta sem pressa
um beijo soprado
um beijo engolido
uma música
uma aragem lunar
uma onda de ir
um grito sussurrado
um rio de ficar
um tempo roubado
e mais flores,
violetas
azuis
vitrais
estrelas
outras cores
imaginadas
dançadas
nela

essa
perfeita
janela.

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domingo, julho 13, 2008

Domingo...

... acordar muito devagarinho
para fazer o Sol demorar no céu
para fazer a estrada mais longa
para esticar o tempo dentro do tempo
para usar mais sorrisos
para dizer nos ouvidos os verbos perfeitos
os verbos precisos
para adiar todos os fins
equilibrar os nãos os talvez os sins
para sossegar todos os bulícios
voar deslizando sem sair do lugar

amar, amar, amar, amar, amar
manter os olhos presos nos inícios.


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quarta-feira, julho 09, 2008

Sede(s)

Quando tenho sede
e o negro me afoga
és minha janela
bebo a tua luz
prendo-a sem pena
nunca a partilho
sou quem manda nela.

Quando no deserto
és tu a chorar
troco de lugar
abro as portas todas
sou lago, sou rio
luz branca e suave
bebes de uma vez
tudo o que te dou
o doce, o salgado
o certo, o pecado
o quente, o frio.

Até que, vazia,
regressa a escuridão
e numa roda viva
sou eu a pedir
tu deixas-te ir
estendes-me a luz
dás-me a tua mão.


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quinta-feira, julho 03, 2008

Correr devagar

Ponho o tempo a teus pés
para correr devagar
para ser sempre a primeira
veloz só na brincadeira
no caminho demorar
nos teus olhos me morrer
sem pressa de lá chegar.
Ponho o tempo a teus pés
porque sei que tu me levas
ao contrário do mar vento
num sonho, num pensamento
lua, estrela, céu de dentro
de feição contra a corrente
sem respeito pelas ondas
contrariando as marés
que nos querem empurrar.

Ponho o tempo a teus pés
porque és assim como és.


quinta-feira, junho 26, 2008

Seria...

Se eu fosse uma cor, seria da cor de voar.
Se eu fosse um animal, seria um animal de partir.
Se eu fosse uma coisa, seria uma coisa qualquer
leve.
Se eu fosse um azul, seria alto chapéu-de-chuva
sem tecto.
Seria sempre o teu sonho no ar.
Seria sempre o que há-de vir.
Seria pena na tua asa... haverias de me escrever
breve
suave.

Longe
caminho
estrela
doce
afecto.

Seria.