Não são as sereias
chamando lá longe
à distância de um mar
É esse silêncio
esse azul sem espuma
piano sem mão
que
mesmo assim distante
eu ouço tocar.
sexta-feira, outubro 24, 2008
Distância
terça-feira, setembro 09, 2008
Não preciso
Não preciso de mão para te dar a mão
não preciso de sorrisos para te sorrir
não preciso de braços para te abraçar
não preciso de palavras para falar contigo
basta-me saber-te aí
voando num céu líquido
a escutar o que não digo
Não preciso de coisa alguma
só de ti.
quinta-feira, agosto 28, 2008
Ponto de nós
Dou a volta ao mundo
linha a linha
fio a fio
ponto por ponto
cruz, cheio, cadeia, matiz
espinha
pé-de-galo
pé-de-flor
regar
gosto de tecer
gosto de bordar
ponto de nós.
As voltas redondas
têm este fado
tu do meu lado
eu caminhando
sabendo sem fim
os caminhos cosidos
com a seda que nasce
por dentro de mim.
sexta-feira, agosto 22, 2008
Voar e cair
Soubera eu como voar em vez de cair
em ti, gota,
e nada mudaria
porque
ainda assim
depois de voar
liberta de fios
a seguir
vinha a saudade
e de novo
em ti
me afundaria.
quinta-feira, agosto 07, 2008
E...
domingo, julho 13, 2008
Domingo...
... acordar muito devagarinho
para fazer o Sol demorar no céu
para fazer a estrada mais longa
para esticar o tempo dentro do tempo
para usar mais sorrisos
para dizer nos ouvidos os verbos perfeitos
os verbos precisos
para adiar todos os fins
equilibrar os nãos os talvez os sins
para sossegar todos os bulícios
voar deslizando sem sair do lugar
amar, amar, amar, amar, amar
manter os olhos presos nos inícios.
www.vladstudio.com
quarta-feira, julho 09, 2008
Sede(s)
Quando tenho sede
e o negro me afoga
és minha janela
bebo a tua luz
prendo-a sem pena
nunca a partilho
sou quem manda nela.
Quando no deserto
és tu a chorar
troco de lugar
abro as portas todas
sou lago, sou rio
luz branca e suave
bebes de uma vez
tudo o que te dou
o doce, o salgado
o certo, o pecado
o quente, o frio.
Até que, vazia,
regressa a escuridão
e numa roda viva
sou eu a pedir
tu deixas-te ir
estendes-me a luz
dás-me a tua mão.www.vladstudio.com (The black hole)
quinta-feira, julho 03, 2008
Correr devagar
Ponho o tempo a teus pés
para correr devagar
para ser sempre a primeira
veloz só na brincadeira
no caminho demorar
nos teus olhos me morrer
sem pressa de lá chegar.
Ponho o tempo a teus pés
porque sei que tu me levas
ao contrário do mar vento
num sonho, num pensamento
lua, estrela, céu de dentro
de feição contra a corrente
sem respeito pelas ondas
contrariando as marés
que nos querem empurrar.Ponho o tempo a teus pés
porque és assim como és.
quinta-feira, junho 26, 2008
Seria...
Se eu fosse uma cor, seria da cor de voar.
Se eu fosse um animal, seria um animal de partir.
Se eu fosse uma coisa, seria uma coisa qualquer
leve.
Se eu fosse um azul, seria alto chapéu-de-chuva
sem tecto.
Seria sempre o teu sonho no ar.
Seria sempre o que há-de vir.
Seria pena na tua asa... haverias de me escrever
breve
suave.
Longe
caminho
estrela
doce
afecto.
Seria.
quinta-feira, junho 12, 2008
se eu soubesse como...
Se eu soubesse como
tecia uma teia
e depois enfeitava-a
como pudesse
gotas de chuva
lua aninhada
cerejas, morangos
pássaros azuis
estrela pequenina
rosa perfumada...
Conseguem ver
o que não se vê?(Nós morando nela
só porque apetece
só porque sabe bem
sem saber porquê...)
sábado, junho 07, 2008
Pequeno problema
Anda cá, por favor
tenho um pequeno problema
não dou conta do recado
do sapato desatado
da teia que são
fios enovelados
ora um, ora outro, ora o mesmo
e eu sem saber bem
que nós não escutar
que nós desatar
anda cá, por favor
que só o amor
eu sei
me pode salvar
espalhar migalhas
"desperder-me" do mato
ajudar a atar
o fio desatado
do meu sapato...
domingo, junho 01, 2008
Azul que me flutua
Afogar-me-ia
com o peso da vida
a passear-se por cima de mim
como lhe apetece
sem me perguntar
posso?
se não fosses tu
esse azul que me flutua
como asa.
É caso para dizer
que não fica em cima
mas sim por baixo
o farol que me alumia
o verde que me respira
a rua azul da minha casa...
domingo, maio 18, 2008
Asteriscando o céu...
Muita semelhança
bonita diferença
asteriscando o céu de noite e de dia
regando lua só sua
que mais ninguém tem
igual
eles sabem bem
ponto, vírgula, teu, tua
mistérios, enigmas, magia
símbolo de pertença
(sinal de esperança?)
sexta-feira, maio 16, 2008
Paralelo longe
Letras para cá e para lá, mar, rio, ondas de palavras
lado a lado
sem se cruzar.
Há histórias assim
parecem distantes páginas diferentes
ensaiando laço
mas que se escrevem
mas que se desenham
em cada margem
desse paralelo longe
num livro só
num único abraço
sexta-feira, maio 09, 2008
Migalhas de estrelas
Falamos a mesma língua
tu e eu?
Ou é telepatia
forte sintonia
lua por madrinha
migalhas de estrelas
marcando o caminho
entre dois mundos
distantes, bem sei,
o teu e o meu?
Ou é um sonho
desses que temos
e que suspeitamos
só viver no céu?
terça-feira, maio 06, 2008
Cor de vitamina
Por que razão
me olhas assim
tão fixamente
como se não houvesse
mais Primavera
nem mais paisagem
para lá deste verde
que enfeitiçou
sem obrigação
varinha ou poção
de forma tão doce
de forma tão estranha
com encantamento
bom para a saúde
cor de vitamina
sumo de laranja?
domingo, maio 04, 2008
Chamo-lhe amor?
Não sei que lhe chame
ao olhar para ti
assim bem de frente
quando tu escolhes
esquecer o mundo
escutar as histórias
que quero contar
contar-me caminhos
que foram teus
quando tu decides
sem hesitar
esquecer-te do tempo
ter a minha cor
ficar por aqui
horas assim
folhinhas distantes
de mãos muitos dadas
sem se tocar...
...chamo-lhe amor?
sábado, maio 03, 2008
Se é sorrir, é sorrir...
Gato que lês sem ler
os livros na casa espalhados
tenta lá ler o que sinto
quando olho para ti
do fundo do meu sorriso
mesmo de olhos fechados.
Quisera eu ser assim
nesse sossego tão grande
sem prisões de consciência
de quem não recorda o antes
de quem não inventa um depois
de quem só conhece o presente
e nele aprendeu a estar:
se é dormir é dormir
se é comer é comer
se é brincar é brincar.

sábado, abril 26, 2008
Pinturas...
Gosto de ir mudando a cor das minhas asas.
Uso tinta ecológica
que desaparece
se dilui em água
e me escapa
sem eu prever
desculpando-me
por cada poema novo
nova combinação de palavras
com alteração meteorológica
que ponha o céu
a chover.
Sim. Eu sei.
Hoje não choveu. Não tenho desculpa.
Mas gosto de sentir que o destino
é coisa que se pinta como se deseja
em tela que é sempre a mesma
parede de todas as casas
mesmo que à vista as cores pareçam iguais
mesmo que ninguém perceba
mesmo que ninguém (te) veja
repintando as minhas asas.
um verde na lua
Podem não acreditar
porque é um segredo
e os segredos
não deviam ser
para partilhar...
Podem não acreditar
mas está lá que eu sei
mesmo que os astronautas digam que não
e os cientistas não digam que sim
é que eles não olharam bem
escolheram mal o que sonhar
olharam para outros lados
olhos fechados
confiem em mim
tem água a correr
frescura de bosque
aves voando
pirilampos quentes
fogo no ar...
Se um dia forem para aqueles lados
e tudo vos parecer escuro
procurem
por dentro
bem disfarçado
um botão secreto
(onde foi que o puz?)
acende sem medo
deixa iluminado
esse segredo
recanto perdido
jardim escondido
essa verde luz...
segunda-feira, abril 21, 2008
Espelho
Eu vejo tantas coisas
quando olho para ti...
Que coisas?
Vejo tantas estradas
tantos caminhos
tantos fios
fumos, nevoeiros
densos e leves
labirintos breves
entradas, saídas
ruas
viagens
paragens
mãos
minhas
tuas.
Eu vejo
vejo tão bem
verde a despontar no azul
azul cobrindo o vermelho
quando olho para ti
e sorris o meu sorriso
vestes o meu corpo
do outro lado do espelho.

terça-feira, abril 15, 2008
Olhar pescador
Quando de repente alguém pára
repara
olha
deixamos de ser
só mais um
para passarmos a ser
o ...
Algum cuidado
alguma ternura
alguma atenção
e
mesmo sabendo nadar
corremos sempre o risco
de nos perdermos
de nos afogarmos
de nos morrermos
nesse
intenso
pescador
olhar.
domingo, abril 13, 2008
Distâncias de nada
Há distâncias que são nada
coisa alguma.
Fios invisíveis
prendem a Terra à Lua
entre si os planetas
estes às estrelas.
Portanto
não é magia:
tu não estás
e, todavia,
dás-me a mão
beijas-me
e eu consigo vê-las...
quinta-feira, abril 10, 2008
Tens a certeza?
Um dragão?
Não.
Um vulcão?
Não.
De certeza?
Sim.
Um cordeirinho, montanha verde
pedacinho de neve, nuvem, algodão
suave, leve, flor flutuando
Um dragão?
Já disse que não.
Um vulcão?
Já disse que não!
Tens a certeza?
É que vejo ali
uma fresta de luz
calor a escapar
pequenina chama
brilho mal escondido...
Não vês nada!
(Vou a correr
buscar balde d’água
regresso com pressa
figura apagada.)

terça-feira, abril 08, 2008
Sons com asas
Não, não está presa a lado nenhum
a música que escuto
quando uma ave me canta
pela manhã
sem pressa
pousada
aninhada
nos meus ouvidos.
É um segredo nosso:
há sons com asas
há asas com cheiros
cheiros com sabores
sabores com dedos
dedos com olhos
que ficam escondidos.
sábado, abril 05, 2008
O sonho é meu...
Quero, porque quero
que sejas só minha
levo-te comigo
p'ra outro lugar.
Tanto me faz
(nem quero saber)
que o mundo reclame
falta de luar
o sonho é meu
fui eu que o sonhei
e nele a lua fica
exactamente onde
eu decidir
que ela vai ficar.
quinta-feira, abril 03, 2008
da Terra ao sonho
dizes:
vai só um passinho
da Terra ao sonho
vai só um passinho
da Terra ao luar
se ficares quieta
se não caminhares
não acredites
que se desprende
cai na tua mão
ou te vem buscar
vai só um passinho
da Terra ao sonho
vai só um passinho
da Terra ao luar
(corto estes fios
desato estes nós
sacudo o que pesa
descubro umas asas
embarco em ti
e vou viajar...)
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Pas de deux...
Somos, não somos?
Tão parecidos...
Olhos com sonhos
sedes de alto
caminhando em pontas
voando na noite
a meio caminho
na escada do céu
procurando na lua
alguma magia
palavras de seda
bailados de branco
música invisível
serena alegria
um porto de abrigo
adivinhando sem ver
só pelo sabor
a cor de um amigo
desses que parece
que já era nosso
antes de o ser
e que depois sobe
por nós acima
se aninha por dentro
nos conta segredos
nos escuta as histórias
nos dá mil ouvidos...
Somos não somos?
Tão parecidos...

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quinta-feira, março 27, 2008
Teia
não sei se ramos raízes sabores se sons
se aves se fios tristezas se voos memórias
se lembranças retratos se palavras segredos
se desenhos segundos minutos se livros
se folhas se luas bonecas se músicas lágrimas
se cantos se contos fadas cadernos se voos
se poemas sorrisos se gente se histórias
se desejos se encantos sonhos se estradas se asas
não sei
chamo-lhe teia
(digo que é minha)
quinta-feira, março 20, 2008
O invisível?
Eu não sei de onde não vem a luz
por isso procuro
razões
explicações
escondida mão
que desenha
apenas
aquilo que é, aquilo que há.
O invisível é sem perguntas
é sem porquês o não.
Então, mais simples assim:
imaginar apenas
os segredos da luz
as razões do sim.
terça-feira, março 18, 2008
Diferenças?
São assim aquelas coisas que se juntas
adicionadas
entrelaçadas
compostas
conversadas
de forma suave
ou mais dura
fazem melhores perguntas
conseguem melhores respostas
aumentam a nossa altura...





















