quinta-feira, abril 10, 2008

Tens a certeza?

Um dragão?
Não.
Um vulcão?
Não.
De certeza?
Sim.

Um cordeirinho, montanha verde
pedacinho de neve, nuvem, algodão
suave, leve, flor flutuando

Um dragão?
Já disse que não.
Um vulcão?
Já disse que não!

Tens a certeza?
É que vejo ali
uma fresta de luz
calor a escapar
pequenina chama
brilho mal escondido...

Não vês nada!

(Vou a correr
buscar balde d’água
regresso com pressa
figura apagada.)


terça-feira, abril 08, 2008

Sons com asas

Não, não está presa a lado nenhum
a música que escuto
quando uma ave me canta
pela manhã
sem pressa
pousada
aninhada
nos meus ouvidos.

É um segredo nosso:
há sons com asas
há asas com cheiros
cheiros com sabores
sabores com dedos
dedos com olhos
que ficam escondidos.


sábado, abril 05, 2008

O sonho é meu...

Quero, porque quero
que sejas só minha
levo-te comigo
p'ra outro lugar.

Tanto me faz
(nem quero saber)
que o mundo reclame
falta de luar
o sonho é meu
fui eu que o sonhei
e nele a lua fica
exactamente onde
eu decidir
que ela vai ficar.



quinta-feira, abril 03, 2008

da Terra ao sonho


dizes:

vai só um passinho
da Terra ao sonho

vai só um passinho
da Terra ao luar

se ficares quieta
se não caminhares
não acredites
que se desprende
cai na tua mão
ou te vem buscar

vai só um passinho
da Terra ao sonho

vai só um passinho
da Terra ao luar

(corto estes fios
desato estes nós
sacudo o que pesa
descubro umas asas
embarco em ti
e vou viajar...)

http://www.vladstudio.com/

sábado, março 29, 2008

Pas de deux...


Somos, não somos?
Tão parecidos...
Olhos com sonhos
sedes de alto
caminhando em pontas
voando na noite
a meio caminho
na escada do céu
procurando na lua
alguma magia
palavras de seda
bailados de branco
música invisível
serena alegria
um porto de abrigo
adivinhando sem ver
só pelo sabor
a cor de um amigo
desses que parece
que já era nosso
antes de o ser
e que depois sobe
por nós acima
se aninha por dentro
nos conta segredos
nos escuta as histórias
nos dá mil ouvidos...

Somos não somos?
Tão parecidos...


www.vladstudio.com

quinta-feira, março 27, 2008

Teia


não sei se ramos raízes sabores se sons
se aves se fios tristezas se voos memórias
se lembranças retratos se palavras segredos
se desenhos segundos minutos se livros
se folhas se luas bonecas se músicas  lágrimas
se cantos se contos fadas cadernos se voos
se poemas  sorrisos se gente se histórias
se desejos se encantos sonhos se estradas se asas
não sei
chamo-lhe teia
(digo que é minha)


quinta-feira, março 20, 2008

O invisível?

Eu não sei de onde não vem a luz
por isso procuro
razões
explicações
escondida mão
que desenha

apenas
aquilo que é, aquilo que há.


O invisível é sem perguntas
é sem porquês o não.

Então, mais simples assim:
imaginar apenas
os segredos da luz

as razões do sim.

terça-feira, março 18, 2008

Diferenças?

São assim aquelas coisas que se juntas
adicionadas
entrelaçadas
compostas
conversadas
de forma suave
ou mais dura
fazem melhores perguntas
conseguem melhores respostas
aumentam a nossa altura...


domingo, março 16, 2008

Pés na lua...

Apenas isto:
vou agora descansar o meu cansaço
pés na lua, trincando uma estrela.

Não, não é sequer um sonho
uma invenção, um desenho
estou bem acordada.
Tão pouco é devaneio
fuga,
viagem, distância
não tem qualquer importância
não é sequer um anseio

o que não tenho
e queria ter.

É só um poema
apenas mais um
que ainda não estava escrito
e me apeteceu escrever.



www.vladstudio.com

domingo, fevereiro 24, 2008

Sabor a asa

Sabem o sabor que me sabe melhor e de que gosto mais?
Mais do que o sabor a cereja, o sabor a morango, o sabor de gelado?
Mais do que o sabor a brinquedo, o sabor a segredo, o sabor a nuvem, o sabor a amor, o sabor

inesperado?
Mais do que o sabor a verde, o sabor a azul, o sabor a sol, o sabor a lar, o sabor a casa?
Sabem?

O sabor a asa...

sábado, fevereiro 23, 2008

Falta de cor

As minhas palavras foram à procura de um desenho novo para mudarem de casa.
Não havia.
Em desespero, as minhas palavras bateram a todas as portas para sair.
Cadeado.
As minhas palavras quase asfixiaram com falta de cor.

Fui eu.
Fui eu quem esqueceu a chave num canto qualquer sem acreditar
que as minhas palavras, mesmo sem música, mesmo sem vento,

mesmo sem pinturas
conseguem bailar.

domingo, fevereiro 17, 2008

Eu sou aquela

Eu sou aquela
(conseguem ver?)
aquela de verde
a pintar futuros
tudo menos escuros
aquela amarela
mais longe do chão
mais perto de estrela
aquela algures
entre rosa e lilás
que vai atrás de ti
está onde tu estás
aquela laranja
cheia de sabor
que se deixa ficar
apenas distraída
a saborear
aquela vermelha
que luta e insiste
sopra vento forte
agarra-se bem
nunca desiste
aquela azul
parada a sonhar
com asas maiores
que a levem p'lo ar

Eu sou aquela...
(conseguem ver?)


Eu sou todas?
Não pode ser...


Fome

Primeiro linhas, sinais, letras, palavras
fome imensa
intensa
um copo de água
esperar que se misturem, dissolvam, dancem
o tempo certo
e depois
o papel deixa de ser deserto
regressam esquecidas
desconhecidas de mãos dadas
amigas separadas.

Olhando para elas assim brincando
saltando à corda
sem nós
dou-lhes o nome poema
dou-lhes o nome que me apetecer dar
(parecem não se importar).

www.vladstudio.com

sábado, fevereiro 09, 2008

Não pode ser tudo

Fui-me chegando a ti quase sem querer
mas era magia e a magia faz-nos fazer as coisas que não queremos fazer
não era o tempo, não havia tempo, não era o destino, não era a hora
e tu chamando em tons suaves, o orvalho pedindo: tem de ser agora
e fui-me chegando, convite aceite, também convidando esse teu olhar
descobrindo-te ondas, branco a imaginar-se um azul de mar
e eu quase a entrar tão perto da alma procurando perfume, procurando calma
já toda enredada em poesia e prosa para descobrir o que já sabia
que a cor prometia, mas que não trazia o perfume da rosa.
Parti sem tristeza, que a beleza é assim,
não pode ser tudo, nunca é completa, nunca é inteira
tu sem aroma, toque su_ave, convidando à paz
rosa inebriando mas ferindo as mãos de quem a leva
de quem a segura
de quem a deseja
de quem a traz



Azalea - foto close-up trabalhada (by me)
com efeito crayon em Corel PHOTO-PAINT X3

domingo, janeiro 27, 2008

Campo de estrelas

Mesmo que não queiram, semearei e regarei o meu campo de estrelas. Cuidarei das flores com ternura e sorrisos, afagarei todos os sonhos delas. Foi promessa que lhes fiz, que lhes faço, que qualquer um dos meus gestos diz. Se insistirem em desviar-me o olhar, a atenção, se tentarem agarrar a minha mão, eu encontrarei sempre mais pés para escapar, saltar cercas, atravessar grades e regressar ao meu campo de estrelas. Não se atrevam nunca a dizer-me que o meu destino é esquecê-las. Eu não as conto, eu não lhes traço as viagens, eu não lhes estreito as margens, eu não lhes digo que recanto do céu lhes serve melhor. O meu destino é não lhes impor destino, não prometer azul maior, é partilhar o mundo, acalmar a dor, segredar-lhes com carinho: encontra as tuas asas, com estas ferramentas e as que criares, com as tuas perguntas, faz o teu caminho.
Mesmo que não queiram, que me tentem impedir, vão perceber um dia que a força de um jardineiro, mesmo que esteja sozinho, não pode ser calculada, não pode ser controlada, ninguém a pode medir.
.

domingo, janeiro 06, 2008

Sem floresta...

Também gosto
de um certo silêncio
uma certa paz
um certo sossego
algum vazio
espaço aberto
que dá aconchego
para respirar
e não lhe chamar
nunca solidão
é outra forma
de me celebrar
de me passear
de mesmo sem gente
fazer uma festa
porque gosto
tantas vezes gosto
de ficar assim
apenas assim
de ser assim árvore
sem ter floresta.

sábado, dezembro 29, 2007

domingo, dezembro 16, 2007

Lado a lado...


Se eu fosse um elefante
um elefante quadrado
não ficaria contente
não me seria indiferente
poder ser arrumado
devidamente encaixado
no geométrico fado.

Se eu fosse um elefante
um elefante quadrado
tentaria a qualquer custo
ser depressa arredondado
ao menos em três das linhas
deixava uma, deixava
para poder aninhar-me
colar-me sem ter vazios
me encostar a(o) teu lado.


quinta-feira, outubro 25, 2007

Ferramenta de mim?

Sou quem quero
escrevo o texto da fala
falo o texto da escrita
se quiser
pinto a cor que apetece agora
e depois
despinto, repinto
noutra hora
e corto, recorto
não me importo
aumento, reduzo
amplio-me no pormenor
afasto-me se me souber de cor
desloco-me, enquadro-me
distorço, endireito
mudar é bom
de preceito, de forma, de tom.

Ferramenta de mim
exactamente assim.


Sou quem quero
quero quem sou
e nunca deixar de me ver
ou ficar invisível
mesmo que imagine
que alguém me apagou.


sexta-feira, outubro 05, 2007

De outro mundo...


Não sou deste mundo.
Sinto às vezes em mim mais mãos, mais pernas,
mais asas
mais dedos, mais olhos, mais sonhos
mais desejos, mais braços, mais eus, mais bocas.

Para não dizer que sou louca(s)
digo só assim
(com mais sóis, mais luas, mais céus em fundo):
não sou daqui
sou de outro mundo.

www.vladstudio.com

terça-feira, outubro 02, 2007

Feminino cofre

Na mais alta prateleira
fechado
um livro claro
sem escada
que o respire.

Sim.

Na mais alta prateleira
uma luz escondida
na sombra
de outra luz.

Apetece...
um caminho até ela.

Na mais alta prateleira
a certeza:
livro é feminino
cofre
segredo
concha proibida.

Soubera alguém a palavra
chave
que
me encontrara
(ilha escondida).




http://www.vladstudio.com/

quarta-feira, agosto 29, 2007

Um não sei quê

Há nesta nossa espécie de leve leveza
um não sei quê de algodão
de aragem, de folha
de pena, de ave
de música azul
de desejo
de fuga
inverso
de chão.



segunda-feira, agosto 20, 2007

Ser outra vez?

Digo de mim:
não sei se nova se velha se assim-assim
se princípio se meio se fim
se escorrego se o sigo se caminho
se me empurra se o bebo se lhe fujo

Pergunto:
que ventre lhe vai dando luz
parto infinito?

Luta desigual.
Acabarei por ir partir terminar
sem era outra vez...

Ele
(invejo-o?)
vai continuar.





segunda-feira, agosto 13, 2007

Sementes de asas

Semente já não quero que seja
futuro de chão preso.
Semente não quero que cheire
a erva daninha
joelhos no chão.
Semente
agora
só se for coisa de ar
coisa de voar
coisa de música sem corpo
de ventos sem norte
entregues a qualquer sorte
janelas sem casas.

Sementes de asas.


sábado, julho 14, 2007

Coser e descoser

Coso pontos que me prendem a tudo
que prendem tudo a tudo
com fortes linhas
sem ajuda
sem instruções
sem outras mãos
que não as minhas
perita.


Por vezes,
uma certa falta de ar
uma certa falta de luz

a precisar

de
aos poucos
me descoser
com as mesmas mãos com que me cosi
e ir passear.






quinta-feira, julho 05, 2007

Asas e tudo

É um cavalinho
feito de papel
relincha a fingir
e nunca galopa
mora num desenho
guardado em gaveta
este meu corcel.

É um cavalinho
feito de madeira
não me leva longe
só finge que voa
promete viagens
promete-me o céu
e é só brincadeira.

Era um cavalinho
daqueles a sério
com asas e tudo
de osso e de carne
que eu queria
para ver se ia

de nuvem em nuvem
em busca da chave
em busca da porta

e depois fugia...


segunda-feira, julho 02, 2007

Terra longe

Desvendo o caminho
à medida que caminho
que persigo
essa terra longe
esse destino não escrito
não
dito.

Desembaraço as teias
separo os fios devagar
com vagar
e no final de cada
um
repousa sempre
uma resposta
a precisar de perguntas.
Páro
pergunto(-me).

Desvendo o caminho
d e d o ..a.. d e d o .

Cada vez menos solidão
menos peso
menos dor
mais ar
menos
medo


www.vladstudio.com

sábado, junho 23, 2007

Essa lagoa


Não fica em lado nenhum.
Melhor: mora em nós.
Bebo-lhe o azul de memória
recordo-a como se fosse uma história
e regresso lá
sempre que quero
de olhos fechados
num voo súbito
de quase liberdade
para matar
só um bocadinho
(bem ao de leve)
esse desejo
essa saudade.



www.vladstudio.com

quinta-feira, junho 14, 2007

Medo(s)

Vou-os despindo peça a peça
sacudo-os sem pena
deixo-os pelo caminho
desarrumados
atrás de mim
assim
como se não fossem mais precisos
e vou andando
cada vez mais leve
pés no ar
(ah como é bom!)
acreditando
ao perdê-los
um a um
que, lá no chão,
já nem sequer tu, dragão,
depois de despidos
me vestes nenhum.

.


www.vladstudio.com

segunda-feira, junho 11, 2007

Inclinação

Deu-me uma saudade
assim de repente
de torre inclinada
castelo no ar
de coisa sem jeito
daquelas que não
hão-de acontecer
de história que nunca
ninguém vai contar
de nuvem, cavalo
azul e veneza
de passado algum
de outro presente
futuro sem ser
só pelo prazer
de dizer que sim
que tenho saudade
de qualquer coisa
estrada paralela
que não é para mim
só para eu sonhar.

Anda, vem comigo.
Finge que é verdade
esta inclinação
e na torre que quer
cair mas não cai
bem longe do chão
tira-me uma foto
só para provar
que esta saudade
que hoje me deu
é fantasia
muito verdadeira
(quase até real)
a morar no céu.



quinta-feira, junho 07, 2007

Os sonhos podem tudo?


Desejava, porque desejava
ser princesa, rainha, até fada
bela, sereia, ave, heroína
salvar, ser salva, ser amada.
Não me lembro nunca de ter desejado
ser bruxa, vilã,
dragão, (dragã?)
monstro, pesadelo
carrasco, madrasta.

Estou aqui a sentir a solidão
dos não sonhados
mesmo sabendo que
(olhando o mundo)
alguém se distraíu
e às vezes os imaginou
imaginou, imaginou, imaginou
até poderem ser tocados.

Prometo desejar hoje
ser todos aqueles
que nunca sonhei.
E, quando os chegar a ser,
deixá-los lindos, puros
perfeitos
corrigidos
emendados
com outro sonho
que sonharei.

Os sonhos podem tudo.
E na palavra tudo
não cabe a palavra quase.

(Ou quase não cabe...)




www.vladstudio.com