São assim aquelas coisas que se juntas
adicionadas
entrelaçadas
compostas
conversadas
de forma suave
ou mais dura
fazem melhores perguntas
conseguem melhores respostas
aumentam a nossa altura...
terça-feira, março 18, 2008
Diferenças?
domingo, março 16, 2008
Pés na lua...
Apenas isto:
vou agora descansar o meu cansaço
pés na lua, trincando uma estrela.
Não, não é sequer um sonho
uma invenção, um desenho
estou bem acordada.
Tão pouco é devaneio
fuga,
viagem, distância
não tem qualquer importância
não é sequer um anseio
o que não tenho
e queria ter.
É só um poema
apenas mais um
que ainda não estava escrito
e me apeteceu escrever.

domingo, fevereiro 24, 2008
Sabor a asa
Sabem o sabor que me sabe melhor e de que gosto mais?
Mais do que o sabor a cereja, o sabor a morango, o sabor de gelado?
Mais do que o sabor a brinquedo, o sabor a segredo, o sabor a nuvem, o sabor a amor, o sabor
inesperado?
Mais do que o sabor a verde, o sabor a azul, o sabor a sol, o sabor a lar, o sabor a casa?
Sabem?
O sabor a asa...
sábado, fevereiro 23, 2008
Falta de cor
Não havia.
Em desespero, as minhas palavras bateram a todas as portas para sair.
Cadeado.
As minhas palavras quase asfixiaram com falta de cor.
Fui eu.
Fui eu quem esqueceu a chave num canto qualquer sem acreditar
que as minhas palavras, mesmo sem música, mesmo sem vento,
mesmo sem pinturas
conseguem bailar.
domingo, fevereiro 17, 2008
Eu sou aquela
Eu sou aquela
(conseguem ver?)
aquela de verde
a pintar futuros
tudo menos escuros
aquela amarela
mais longe do chão
mais perto de estrela
aquela algures
entre rosa e lilás
que vai atrás de ti
está onde tu estás
aquela laranja
cheia de sabor
que se deixa ficar
apenas distraída
a saborear
aquela vermelha
que luta e insiste
sopra vento forte
agarra-se bem
nunca desiste
aquela azul
parada a sonhar
com asas maiores
que a levem p'lo ar
Eu sou aquela...
(conseguem ver?)
Eu sou todas?
Não pode ser...
Fome
Primeiro linhas, sinais, letras, palavras
fome imensa
intensa
um copo de água
esperar que se misturem, dissolvam, dancem
o tempo certo
e depois
o papel deixa de ser deserto
regressam esquecidas
desconhecidas de mãos dadas
amigas separadas.
Olhando para elas assim brincando
saltando à corda
sem nós
dou-lhes o nome poema
dou-lhes o nome que me apetecer dar
(parecem não se importar).
www.vladstudio.comsábado, fevereiro 09, 2008
Não pode ser tudo
mas era magia e a magia faz-nos fazer as coisas que não queremos fazer
não era o tempo, não havia tempo, não era o destino, não era a hora
e tu chamando em tons suaves, o orvalho pedindo: tem de ser agora
e fui-me chegando, convite aceite, também convidando esse teu olhar
descobrindo-te ondas, branco a imaginar-se um azul de mar
e eu quase a entrar tão perto da alma procurando perfume, procurando calma
já toda enredada em poesia e prosa para descobrir o que já sabia
que a cor prometia, mas que não trazia o perfume da rosa.
Parti sem tristeza, que a beleza é assim,
não pode ser tudo, nunca é completa, nunca é inteira
tu sem aroma, toque su_ave, convidando à paz
rosa inebriando mas ferindo as mãos de quem a leva
de quem a segura
de quem a deseja
de quem a traz

Azalea - foto close-up trabalhada (by me)
com efeito crayon em Corel PHOTO-PAINT X3
domingo, janeiro 27, 2008
Campo de estrelas
Mesmo que não queiram, que me tentem impedir, vão perceber um dia que a força de um jardineiro, mesmo que esteja sozinho, não pode ser calculada, não pode ser controlada, ninguém a pode medir.
.
domingo, janeiro 06, 2008
Sem floresta...
Também gostode um certo silênciouma certa pazum certo sossegoalgum vazioespaço abertoque dá aconchegopara respirare não lhe chamarnunca solidãoé só outra formade me celebrarde me passearde mesmo sem gentefazer uma festaporque gostotantas vezes gostode ficar assimapenas assimde ser assim árvoresem ter floresta.
sábado, dezembro 29, 2007
domingo, dezembro 16, 2007
Lado a lado...
Se eu fosse um elefante
um elefante quadrado
não ficaria contente
não me seria indiferente
poder ser arrumado
devidamente encaixado
no geométrico fado.
Se eu fosse um elefante
um elefante quadrado
tentaria a qualquer custo
ser depressa arredondado
ao menos em três das linhas
deixava uma, deixava
para poder aninhar-me
colar-me sem ter vazios
me encostar a(o) teu lado.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Ferramenta de mim?
Sou quem quero
escrevo o texto da fala
falo o texto da escrita
se quiser
pinto a cor que apetece agora
e depois
despinto, repinto
noutra hora
e corto, recorto
não me importo
aumento, reduzo
amplio-me no pormenor
afasto-me se me souber de cor
desloco-me, enquadro-me
distorço, endireito
mudar é bom
de preceito, de forma, de tom.
Ferramenta de mim
exactamente assim.
Sou quem quero
quero quem sou
e nunca deixar de me ver
ou ficar invisível
mesmo que imagine
que alguém me apagou.
sexta-feira, outubro 05, 2007
De outro mundo...
Não sou deste mundo.
Sinto às vezes em mim mais mãos, mais pernas,
mais asas
mais dedos, mais olhos, mais sonhos
mais desejos, mais braços, mais eus, mais bocas.
Para não dizer que sou louca(s)
digo só assim
(com mais sóis, mais luas, mais céus em fundo):
não sou daqui
sou de outro mundo.
terça-feira, outubro 02, 2007
Feminino cofre
Na mais alta prateleirafechadoum livro clarosem escadaque o respire.Sim.Na mais alta prateleirauma luz escondidana sombrade outra luz.Apetece...um caminho até ela.Na mais alta prateleiraa certeza:livro é femininocofresegredoconcha proibida.Soubera alguém a palavrachavequeme encontrara(ilha escondida).

quarta-feira, agosto 29, 2007
Um não sei quê
Há nesta nossa espécie de leve leveza
um não sei quê de algodão
de aragem, de folha
de pena, de ave
de música azul
de desejo
de fuga
inverso
de chão.
segunda-feira, agosto 20, 2007
Ser outra vez?
segunda-feira, agosto 13, 2007
Sementes de asas
Semente já não quero que seja
futuro de chão preso.
Semente não quero que cheire
a erva daninha
joelhos no chão.
Semente
agora
só se for coisa de ar
coisa de voar
coisa de música sem corpo
de ventos sem norte
entregues a qualquer sorte
janelas sem casas.
Sementes de asas.
sábado, julho 14, 2007
Coser e descoser
Coso pontos que me prendem a tudo
que prendem tudo a tudo
com fortes linhas
sem ajuda
sem instruções
sem outras mãos
que não as minhas
perita.
Por vezes,
uma certa falta de ar
uma certa falta de luz
a precisar
de
aos poucos
me descoser
com as mesmas mãos com que me cosi
e ir passear.
quinta-feira, julho 05, 2007
Asas e tudo
É um cavalinho
feito de papel
relincha a fingir
e nunca galopa
mora num desenho
guardado em gaveta
este meu corcel.
É um cavalinho
feito de madeira
não me leva longe
só finge que voa
promete viagens
promete-me o céu
e é só brincadeira.
Era um cavalinho
daqueles a sério
com asas e tudo
de osso e de carne
que eu queria
para ver se ia
de nuvem em nuvem
em busca da chave
em busca da porta
e depois fugia...
segunda-feira, julho 02, 2007
Terra longe
Desvendo o caminho
à medida que caminho
que persigo
essa terra longe
esse destino não escrito
não
dito.
Desembaraço as teias
separo os fios devagar
com vagar
e no final de cada
um
repousa sempre
uma resposta
a precisar de perguntas.
Páro
pergunto(-me).
Desvendo o caminho
d e d o ..a.. d e d o .
Cada vez menos solidão
menos peso
menos dor
mais ar
menos
medo
sábado, junho 23, 2007
Essa lagoa
(bem ao de leve)
esse desejo
essa saudade.

quinta-feira, junho 14, 2007
Medo(s)
Vou-os despindo peça a peça
sacudo-os sem pena
deixo-os pelo caminho
desarrumados
atrás de mim
assim
como se não fossem mais precisos
e vou andando
cada vez mais leve
pés no ar
(ah como é bom!)
acreditando
ao perdê-los
um a um
que, lá no chão,
já nem sequer tu, dragão,
depois de despidos
me vestes nenhum..

segunda-feira, junho 11, 2007
Inclinação
Deu-me uma saudade
assim de repente
de torre inclinada
castelo no ar
de coisa sem jeito
daquelas que não
hão-de acontecer
de história que nunca
ninguém vai contar
de nuvem, cavalo
azul e veneza
de passado algum
de outro presente
futuro sem ser
só pelo prazer
de dizer que sim
que tenho saudade
de qualquer coisa
estrada paralela
que não é para mim
só para eu sonhar.
Anda, vem comigo.
Finge que é verdade
esta inclinação
e na torre que quer
cair mas não cai
bem longe do chão
tira-me uma foto
só para provar
que esta saudade
que hoje me deu
é fantasia
muito verdadeira
(quase até real)
a morar no céu.
quinta-feira, junho 07, 2007
Os sonhos podem tudo?
Desejava, porque desejava
ser princesa, rainha, até fada
bela, sereia, ave, heroína
salvar, ser salva, ser amada.
Não me lembro nunca de ter desejado
ser bruxa, vilã,
dragão, (dragã?)
monstro, pesadelo
carrasco, madrasta.
Estou aqui a sentir a solidão
dos não sonhados
mesmo sabendo que
(olhando o mundo)
alguém se distraíu
e às vezes os imaginou
imaginou, imaginou, imaginou
até poderem ser tocados.
Prometo desejar hoje
ser todos aqueles
que nunca sonhei.
E, quando os chegar a ser,
deixá-los lindos, puros
perfeitos
corrigidos
emendados
com outro sonho
que sonharei.
Os sonhos podem tudo.
E na palavra tudo
não cabe a palavra quase.(Ou quase não cabe...)

sábado, maio 26, 2007
Distância dos pés
Não te assustes, Luasão os meus olhossão os meus sonhossão os meus caminhosa ver se descobremcomo é que tu ésem certos diasa querer distânciaa querer fugirdeixar para trásos pesados pés.
segunda-feira, maio 07, 2007
Eu, ou eu?
Espelho meu, espelho meu
qual delas é a mais verdadeira
a mais real?
A que vive?
A que sonha (voa)?
Eu ou eu?
Entre as duas não existe "ou"
só um "e"
e um só tu
ele sussurrou.

sábado, maio 05, 2007
Gato preto em quarto escuro
Gato preto em quarto escuro.
Gato branco em quarto claro.
Diz-me se, pelo menos,
consegues ver os meus olhos.
Diz-me.
Garante-me que, mesmo invisível,
ocupo este espaço aqui
e o resto
sobeja
para quem o queira habitar.
Repete para eu ter a certeza
de que olhei para mim e me vi
(mesmo que mais ninguém me veja
quando me está a olhar.)

Black Cat in Dark Room
domingo, abril 29, 2007
É verdade...
Com o sonho e a fantasia arrumados no bolso certo do coração, mordes o impossível e sentes o sabor dele na boca.
E nunca pensas: se ao menos fosse verdade...
porque sabes que quando pensas já (o) é.
Agarra-te agora por um bocadinho a esse pensamento súbito que ilumina.
A esse desejo. A esse beijo.
A esse abraço.
(Depois regressa sorrindo às horas certas e simples e mansas e sem sobressalto do dia.)

www.vladstudio.com
quarta-feira, abril 04, 2007
Quadro negro? Não.
Não.
Quadro negro, não.
Pinto com cores
suaves, eu sei
ainda assim
cores.
Também desenho umas flores
imagino um céu
às vezes cinzento, sei
chove
ainda assim
céu.
E uso, por vezes,
lápis de carvão
esbato as sombras com os dedos
(os dedos podem ser luz)
Quadro negro?
Não.

Malevich - Black Square www.vladstudio.com
quarta-feira, março 21, 2007
Maior
Escuta:
não sei se é flor ou palavra o que cresceu aqui.
O que aqui se escreveu.
Mora agora em mim.
(e é maior do que eu.)

domingo, março 11, 2007
Onde?
.Já perdi a conta aos dias
olhando
a ver se havia uma luz
e nela um caminho
e neste um ninho.
Às vezes
parecia...
Mas não havia.
Não há.
Percebi
assim
que
sou
eu
o
caminho
ninho
farol de mim.














