segunda-feira, maio 07, 2007

Eu, ou eu?

Espelho meu, espelho meu
qual delas é a mais verdadeira
a mais real?
A que vive?
A que sonha (voa)?
Eu ou eu?

Entre as duas não existe "ou"
só um "e"
e um só tu
ele sussurrou.



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sábado, maio 05, 2007

Gato preto em quarto escuro


Gato preto em quarto escuro.
Gato branco em quarto claro.
Diz-me se, pelo menos,
consegues ver os meus olhos.
Diz-me.
Garante-me que, mesmo invisível,
ocupo este espaço aqui
e o resto
sobeja
para quem o queira habitar.

Repete para eu ter a certeza
de que olhei para mim
e me vi
(mesmo que mais ninguém me veja
quando me está a olhar.)




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Black Cat in Dark Room

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domingo, abril 29, 2007

É verdade...




Com o sonho e a fantasia arrumados no bolso certo do coração, mordes o impossível e sentes o sabor dele na boca.
E nunca pensas: se ao menos fosse verdade...
porque sabes que quando pensas já (o) é.

Agarra-te agora por um bocadinho a esse pensamento súbito que ilumina.
A esse desejo. A esse beijo.
A esse abraço.
(Depois regressa sorrindo às horas certas e simples e mansas e sem sobressalto do dia.)







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quarta-feira, abril 04, 2007

Quadro negro? Não.

Não.
Quadro negro, não.
Pinto com cores
suaves, eu sei
ainda assim
cores.
Também desenho umas flores
imagino um céu
às vezes cinzento, sei
chove
ainda assim
céu.
E uso, por vezes,
lápis de carvão
esbato as sombras com os dedos
(os dedos podem ser luz)

Quadro negro?
Não.





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quarta-feira, março 21, 2007

Maior

Escuta:
não sei se é flor ou palavra o que cresceu aqui.
O que aqui se escreveu.

Mora agora em mim.
(e é maior do que eu.)


domingo, março 11, 2007

Onde?

Já perdi a conta aos dias
olhando
a ver se havia uma luz
e nela um caminho
e neste um ninho.
Às vezes
parecia...


Mas não havia.
Não há.

Percebi
assim
que
sou
eu
o

caminho
ninho
farol de mim.

.

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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Palavra-chave?


Olho para mim
aqui
com uma palavra-chave
na mão
a ver se
com ela

caibo em algum lado
tropeço em alguma resposta
mergulho em algum segredo
desvendo algum caminho.

Mas (ainda) não.

.

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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

(Des)Protegida

Há nas coisas boas e nas más
o mesmo (in)esperado
doce, amargo, assim assim.
.
Mora nome (im)possível
num chapéu de chuva
que chegue
a todo o lado
importante
de mim.

Deixo-me molhar
e seco-me devagar
aqueço-me
com persistência
apenas quando é preciso
(quando na água encontro dor
ou tristeza).

Acho que sei
escutei
descobri
que estar vivo é assim
uma espécie de coisa
de que só
com frio e calor
tenho a certeza.


segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Há uma porta
em cada castelo velho e abafado
que é uma janela.
Há uma janela
em cada castelo velho e escuro
que é uma luz.
Há uma luz
em cada castelo velho e húmido
que é uma lareira.
Há uma lareira
em cada castelo velho e frio
que é uma chama.
Há uma chama
em cada castelo velho e cansado
que é coração.
Há.
Eu sei.
Não é sequer uma fantasia
aquilo que digo.
Olho para ti e não vejo o que estou a ver
vejo apenas aquilo que queria
ter.

(E tenho
de certa forma
comigo.)


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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Do Amor...

Digo do aroma
do sabor
de um certo incómodo
uma
certa dor

um certo prazer
um certo rubor
alguma alegria
apetite ou azia
sonho,
saudade

encanto ou tremor.
Digo porque sei
que ninguém sabe
exactamente
com rigor
e porque não vê
não crê.

Digo do efeito
da consequência.
Do correr
do calor
do suspirar
da flor
do ritmo
da lágrima
e da pausa.
Digo porque digo
do feitiço
do encanto
labor
caminho
jardim
pedras
espinho
pranto
sorriso
sede
fome
movimento
preciso.
Eu digo
mesmo invisível
da existência.
Há prova.
E a prova
sentida
na pele
cala
as dúvidas
de
qualquer
ciência.




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domingo, fevereiro 04, 2007

Sonhos em dia


Escuto-me
nesse tempo
secreto e meu
a sós comigo

ponho-me sonhos em dia
arrumo-me as prateleiras
e lembro-me de me lembrar
sem direito a distracção
de ouvir o que me digo.




Rita Oliveira Dias
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quarta-feira, janeiro 31, 2007

Sou nuvens


Há uma nuvem que sou eu
(deve haver mais, mas não digo)
nasceu dos sonhos que embalo,
dos desejos de azul
dos pensamentos que trago
ao peito sempre comigo.

Há uma nuvem que sou eu
(há muitas mais, são segredo)
nasceu e fugiu de mim
não me deixou para trás
levou-me no colo dela
e deixou no chão o medo.

.



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domingo, janeiro 28, 2007

Acordar...

abrir os olhos?
luz?
visita do Sol?
pintar de azul claro a noite?
sacudir dos ombros as estrelas?
até breve de Lua?
recomeçar?

Ver pela primeira vez
espanto
saber
e saber que se sabe
o que se sabe
e que ainda se busca resposta
para tantos porquês.



domingo, janeiro 07, 2007

Sombra inteira



Sonhei à beira de um espelho
e ele foi-se embora
fez-se à estrada
em busca de norte
com a outra que também sou.

Agora
no sul a que pertenço
acordo todos os dias assim:

sombra inteira de metade de mim.







domingo, dezembro 31, 2006

Oh Ano Novo...


Dá-me um sonho
dá-me uma aventura
dá-me um cavalo azul
dá-me uma espada
dá-me uma flor
dá-me umas asas
dá-me um beijo
dá-me um sorriso
hei-de cuidar bem deles
saberei estimá-los
e serei feliz…

Não te dou nada
vai tu buscá-los
que foi o que eu fiz!


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segunda-feira, dezembro 25, 2006

Umas vezes

Umas vezes doce
outras salgado.
Umas vezes sem sabor
outras condimentado.
Umas vezes assim
outras assado.
Umas vezes escuro
outras iluminado.
Umas vezes canção
outras fado.

Umas vezes o tanto que falta
outras o que já foi caminhado.



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sábado, dezembro 16, 2006

Sandalinhas

Foi preciso abandonar as sandalinhas de cristal
esquecê-las num desenho antigo
cortar esta ou aquela amarra
deixar de contar com a fada
acolher a palavra surpresa
não me esconder da cor
aceitar sabor diferente
para quase quase
conseguir ser
esboço de
princesa.


Rita Oliveira Dias


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Mimar o tempo

Trato com carinho o tempo:
passeio com ele a toda a hora
dou-lhe colo se estiver cansado
sopro um beijo se estiver perdido
conto-lhe uma história antes de dormir
não o deixo ir a correr embora
bebo-lhe os minutos com cuidado
avivo-lhe a memória se estiver esquecido
afasto o medo quando quer fugir.

Agora, por exemplo,
estou a brincar com ele
e não me digam que temos de parar.
O tempo é meu e eu sou do tempo
fazemos o que queremos juntos:
saltos nas estrelas
viagens à lua
bolas de sabão
caminhos no chão
castelos no ar.


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domingo, dezembro 10, 2006

Querer tudo

Sabes, havia um sonho pesado em que eu me afogava e um sonho leve onde flutuava. Não percebi as razões da diferença. Talvez… espera, havia um sorriso no segundo sonho. Deve pesar menos do que uma lágrima. Provavelmente até tem asas, o sorriso.
É isso. Só pode ser isso. E é azul, claro. De que outra cor pode ser um sorriso?

E lembro outra coisa,

parece que havia um terceiro sonho a meio entre os dois,
pois…
Mas o caminho a meio entre afogar e flutuar…
não é também falta de ar?

Sabes, às vezes penso que o sonho certo não habita o meio. Nem perto.
É preciso manter os olhos fixos no céu.
Querer tudo.
Por nada, ou meio nada, não vale a pena voar.


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sexta-feira, dezembro 08, 2006

Luz nova

Luz quase secreta
gesto invisível, porta aberta
palavra embalada por um poeta.

Regressam as cores à vida
relembra-se a canção esquecida
encontra-se a voz perdida.

Volta a ouvir-se o olhar
apetece correr, apetece brincar
apetece

trincar...

.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Faz de conta

Agora eu era tu e tu eras eu
e tu, sem mãos, não podias prender-me
e o fio ficava solto
e eu partia
(e fingia que voava).

Como?
Imaginaste uns dedos?
Não, não, não!
Não está certo. Tu já sabes voar
não precisas de inventar mais nada.

Deixa que quem imagine seja eu!
O teu sonho não pode apagar o meu.



sexta-feira, dezembro 01, 2006

Luz e sombra

Estrelas acesas e apagadas
estão e não estão
são e não são.

Sonhos e desejos a dormir ou acordados
em turnos
alternados
no céu e na ponta de cada um
dos
nossos
muitos
(a)braços.

O escuro é apenas escuro.


A luz acorda e revela a sombra dos traços.

.



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sábado, novembro 25, 2006

Fronteiras

É fim-de-semana e eu decidi brincar
correr, correr, correr, quase voar
mas, estranhamente, percebi
que não conseguia fugir para longe...

Ao pensar que saía das fronteiras do meu desenho
estava realmente a entrar
do outro lado
por outra porta.

É uma coisa que deve acontecer a muita gente
isto de realmente não se conseguir voar
mas já nem damos por isso

e ninguém se importa.

.

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segunda-feira, novembro 20, 2006

Saudade

.

Nascem coisas de dentro de todas as coisas
eu não devo ser diferente.
Não lhes chamo filha
filho
semente
não gero outra vida
não me oferecem flor
chocolate, calor
não me chamam mãe.

Dou à luz palavras aladas
espalham segredos, não ficam caladas
partem depressa sem me abraçar...

É esta saudade sempre repetida que me faz cantar.

.

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domingo, novembro 19, 2006

Diz

Diz que sou princesa, cinderela, exactamente aquela
que o teu coração procurava
Diz todos os dias assim:
nunca ninguém
nunca
alguém
nunca mais bela
menina
achei
amei
(já amava).

Diz muito de va gar
e muitas vezes
para ver
se eu consigo
algum dia
acreditar.

Diz,
mesmo que eu tape os olhos e não diga nada.

Tenho desculpa para o silêncio:
estou aqui só a sonhar esse sonho acordada.

.

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sábado, novembro 18, 2006

Impossível?

Dá-me a tua mão
e vamos juntos passear um elefante azul que voa.
É impossível.
Pois, mas habituei-me a saborear o impossível
como se fosse um rebuçado com sabor doce e
verdadeiro.
Não sei.
Sabes sim. Enquanto conseguirmos imaginar que o que não é pode ser e depois um dia é
o elefante azul vai existir
porque pensamos nele
e um pensamento que se pensa é uma visita que chegou de viagem
e fica um tempo antes de partir.

Acreditas?
Tenho a certeza.
O contrário é não existirem elefantes azuis no ar
(e nisso eu não consigo acreditar.)

.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Procurem-me aqui


Procurem-me aqui hoje
apetece-me apenas voar sem ter onde ir.

Aqui posso. Com palavras redondas, coloridas, velozes, cheias de asas,
escapo do caminho escuro a direito
e dou o nome que quero ao atalho iluminado do sonho.


(Por instantes
já não estou onde não quero estar e moro exactamente onde me ponho.)

.

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quarta-feira, novembro 15, 2006

Luz, onde?


Por vezes parece que a luz é acima,
distante.
Parece.

Não é. Estamos distraídos.
Atraídos. Traça. Será o certo lado?

A luz está exactamente onde não a vemos
levanta-nos do chão.

Olhos no sentido errado.




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Chave de sonho

Quando preciso de um sonho
subo à lua mais perto
trago comigo uma chave qualquer.

Nunca sei que sonho está à porta para entrar.

É nesse não saber
que mora o melhor sabor
de sonhar.

.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Arco-íris

Teclas de piano feito de sol, água, ar.
Melodias de aguarela que alguns escutam quando sobem pelas escadas do céu.
Caminho de lápis de cor até exactamente onde
ninguém sabe.

Está sempre mais além de mim.

Já o caminhei.
Regresso sempre, fingindo que quero saber o que não sei.

Espero nunca descobrir onde mora nele o fim.

domingo, novembro 12, 2006

Azul

Gosto de aves que não existem, a não ser dentro de mim. Dessas que não consigo explicar como são.
Não as há por aí à mão de semear. E só voam onde as vejo voar.
Gosto delas, mas há poucas. Acho até que só deve haver uma. É minha e ninguém sabe sequer como é que ela é. Confesso apenas que me encanta o azul com que se cobre a toda a hora. É sábia. Assim contra o céu, nunca ninguém a vê chegar até mim. Ninguém a vê ir-se embora. Só eu sei. E nem preciso de olhos para ver. Saber.
Segredo só meu.
Enfim... sim, talvez também do céu.
(Mas, céu, escuta-me bem: não é para contar a ninguém!)